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Quarta-feira, Abril 27, 2005
Murphy à paulista
Lei de Murphy no. 378: Você vai comprar bebida e aparece numa rodoviária meses depois
Cheguei na rodoviária e fui logo procurar aquele free bus que ia me levar pro Anhembi. Mas como pra tudo que é di grátis, a fila era singela. Algo assim de dar volta em apenas dois quarteirões, sabe? E eu, sozinho, não vi ninguém remotamente familiar. Quer dizer, ninguém que eu queria ver. Mas Murphy é legal, não é? Eis que eu dou de cara com uma menina a quem eu dera um belo perdido numa noite dessas há alguns meses. Uma coisa do tipo "vou ali pegar uma bebida" e nunca mais voltar, sabe? Alguém que eu esperava nunca mais ver na vida, e, ironicamente, era a única que eu podia contar agora. Depois daquele cumprimento constrangedor, resolvi ser o mais cara-de-pau:
- Vocês vão pegar o ônibus?
- Não. Eu e 3 amigas vamos dividir um táxi.
- Pô, então tem espaço pra mais um né? (resolvi apelar para as amigas) Meninas, eu posso ir com vocês?
Assim, sem nenhuma vergonha na cara. Elas, meio sem graça, sem saber quem eu era mas vendo que a outra me conhecia, não se opuseram. Em questão de minutos, a situação era: eu espremido num táxi entre uma japonesa desconhecida e alguém que eu despachei sem escrúpulos meses atrás. E aquele silêncio... Mas calma, fica pior.
-Rafael 11:52 PM
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Segunda-feira, Abril 25, 2005
Murphy ainda em Sampa
Lei de Murphy no. 377: Além do telefone, seu chip não funciona
Quando acordei no sábado de manhã, não houve surpresa ao ver meu celular desligado. Pluguei-o na tomada e apareceu aquela simpática mensagem: "digite seu número pin". Tá, digitei. Só que ao invés de entrar na rede, ele me responde "chip bloqueado". Lá fui eu em busca de um quiosque da operadora. Achei um, onde havia apenas uma atendente com um diastema que passaria facilmente um trem pelo meio.
- Oi, olha só, eu sou do Rio, mas meu chip não quer funcionar aqui.
- Deixa eu ver. Ih, ele deu curto. Tem que levar na loja.
- Tá, e onde fica a loja?
- Só tem no shopping *tal*.
- Como eu chego lá?
- Ih, não sei não. Mas é longe viu...
E a situação ficou essa: eu em São Paulo, sem mapa, sem telefone, sem agenda, sem ter como combinar nada com ninguém e sabendo apenas que eu tinha que ir de alguma forma para o Skol Beats, no Anhembi. Mas resolvi peitar Murphy. Apostei na sorte e me joguei no vento. E não é que deu certo? (quer dizer, quase...)
Enquanto isso, na Sala de Justiça...
João Paulo II era pop. Bento XVI, ao que parece, é tecno.
-Rafael 11:30 PM
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Quarta-feira, Abril 20, 2005
Semana "Murphy em SP"
Lei de Murphy no. 376: Você tem problemas no metrô
Cheguei na rodoviária, de onde pegaria o metrô. Comprei meu bilhete mas, claro, não consegui passar. Meia-noite e quinze, o último trem prestes a partir e a roleta engole minha passagem. Fiquei lá, entalado com a mala na roleta, até uma segurança mulher do metrô resolver a situação. Aliás, mulher é modo de dizer. Uma senhora troncuda, de fala grossa que berrava num walkie-talk. Enfim, passei. Entrei num vagão que mais parecia festa à fantasia: uns góticos, um mano do rap e - acreditem - um cover do Axl Rose, estilo mid-90's. Agora pergunta: qual estação eu tinha que saltar? Eu não tinha a mais vaga lembrança e acabei sendo o último passageiro do metrô - praticamente convidado a me retirar. Ah, sim, convém dizer: meu celular-com-fio já não funcionava (era de se esperar) e só dentro do metrô é que eu me dei conta que aquela sensação de ter esquecido alguma coisa no Rio tinha um motivo: o endereço de onde ia ficar. "Esse vai ser um longo fim de semana", pensei. E foi...
-Rafael 11:19 PM
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Segunda-feira, Abril 18, 2005
Semana "Murphy vai à São Paulo"
Lei de Murphy no. 375: Você vai ser alvo de linchamento
Depois de dormir apenas 7 horas em 3 dias, joguei qualquer coisa na mala e fui para a rodoviária. Passei por todos os subúrbios possíveis, o ônibus lotou (de pobre, óbvio) e logo entrou um velho caolho que servia de cabide para as mochilas surradas de suas netinhas melequentas. Até pensei em ceder o lugar, mas eu estava tão cansado e com uma mala tão pesada que pensei: "há de existir outra alma caridosa no ônibus". É, mas não havia. Na primeira curva o velho saiu voando e quase atravessou o pára-brisa. A massa gritava "segura o velho!". Eu soube ali que ia sobrar pra mim. No banco da minha frente tinha um aleijado que começou:
- Esses jovens de hoje não têm mais consciência!
E uma gorda seguiu:
- Se fosse meu filho levantava! Onde já se viu?
Eu já estava me vendo alvo de um linchamento. Imediatamente abaixei a cabeça e fingi estar dormindo. Os comentários continuaram até eu saltar. E a viagem estava apenas começando...
-Rafael 11:22 PM
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Sábado, Abril 16, 2005
Murphy em São Paulo
Rafael foi passar uns dias em São Paulo e já contabiliza muitas histórias bizarras para contar. Já foram velhos cegos em ônibus, linchamento coletivo, alejados hipocondríacos, celular quebrado, tenentes-lésbicas com walkie-talk... e ele não está lá nem há 24 horas ainda! Muita coisa ainda pode (e pelo visto, vai) acontecer. Aguardem!
-Rafael 5:37 PM
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Segunda-feira, Abril 11, 2005
Lei de Murphy no. 374: Nunca duvide de Murphy, III - 3a. parte
Dei um jeito e consegui água de uma bica da boate. Colocada na bateria, o mecânico me pergunta:
- Essa água... ela é pura não né?
- Pura?
- É... porque só pode colocar na bateria água pura, que é isolante. Água de bica de tem cloro, vira condutora e dá curto na bateria.
Nunca me arrependi tanto de ignorar as aulas de química do colégio. E dez para o mecânico, que atentou para o fato depois de ter despejado a água. Mas essa foi minha oportunidade para descontar Murphy em alguém. Chego em casa:
Mãe: Consertou o carro, meu filho?
Eu: Tá tinindo mãe. Amanhã você pode andar nele sem problemas.
Malvado? Eu? Por dar um carro em curto para mamãe? Ora... Ela não tem seguro? Huá-huá-huá!!!
-Rafael 11:35 PM
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Quinta-feira, Abril 07, 2005
Lei de Murphy no. 373: Nunca duvide de Murphy, III - 2a. parte
Depois de muito tempo, conseguimos um motoqueiro-mecânico. Ele abriu o capô e olhou pra bateria:
- Você já colocou água nessa bateria?
- Água?
- Ela tá seca. O problema dela é falta de água.
Agora vai procurar água. A única que tinha era da chuva, numa poça sobre um bueiro entupido. Não é exatamente a água que você quer colocar no seu motor, certo? Mas foi só eu me distrair que quando olho de volta lá está meu amigo, agachado, tentando encher uma latinha de cerveja na poça.
- O que você pensa que vai fazer?
- Ué, colocar água. Não é disso que o motor precisa?
- Mas não água da sarjeta, né seu animal!
E lá foi o Rafael peregrinar por água. E qual o único estabelecimento aberto nas proximidades? Acertou quem lembrou: uma boate gls. E quem, dos três, foi eleito para ir lá pedir água? Exato, eu (apesar de ser o meu carro parado, o que teoricamente requeria que eu ficasse lá). Mereço...
Continua...
Enquanto isso, na sala de justiça...
Mas afinal, seu telefone não funciona só com fio?
É, mas ele tem uma carga fantasma que só serve pra figuração. Se eu tentar fazer uma ligação ela acaba. Ta-nam!
Mas quem precisa de água não é o radiador?
Eu tenho cara de mecânico, por acaso? Ele falou, eu acreditei. Se ele falasse que era falta de peido eu acreditaria!
-Rafael 11:41 PM
Exculaxa, vai:
Quarta-feira, Abril 06, 2005
Lei de Murphy no. 372: Nunca duvide de Murphy, III - 1a. parte
As pessoas não aprendem, não é? Não se pode duvidar de Murphy. Jamais.
Eu e um amigo andando no Murphymóvel (também conhecida como Suzi, o meu carro). Ele começa a dizer que eu sou grumpy, um mal-humorado pessimista, e que as coisas não podem ser tão ruins assim na minha vida. Mas Murphy tem bons ouvidos. Logo em seguida o carro desliga sozinho, com a bateria descarregada a tal ponto que não acendia nem o pisca-alerta. Os vidros abertos não sobem. A rua é deserta, e claro, começa a chover.
- E agora, você acredita em Murphy?
- Ainda não. Vamos chamar o seguro.
- Seguro? Que seguro?
- Você não tem seguro?
- Eu não.
Fui então ligar para um mecânico 24h. Mas Murphy estava determinado naquela noite, e a bateria do meu celular acabou. Pra melhorar (se é que é possível): descobrimos que o único estabelecimento aberto próximo dali era uma boate gls. E não podíamos nem largar o carro e pegar um táxi, porque sem bateria as janelas não subiam (como eu queria uma manivela nessa hora...). O que mais podia dar errado?
Continua...
-Rafael 11:13 PM
Exculaxa, vai:
Segunda-feira, Abril 04, 2005
Lei de Murphy no. 371: A cafeteira rouba seus cafés
Aqui no trabalho tem aquelas máquinas "café" que você coloca dinheiro e elas te devolvem algum tipo de líquido com cafeína (porque aquilo tá mais pra água suja do que café). Outro dia resolvi tomar um e juntei meus trocados para colocar na máquina. 50 centavos. Depositei as moedas e apertei "capuccino". Nada. Apertei de novo. Nada. Soltei um suspiro conformado e pensei "Murphy!". Apertei então o botão "devolver dinheiro". Mas Murphy é Murphy, e o dinheiro, claro, não caiu. Eu me recusei a brigar com uma cafeteira mercenária e fui embora. Dali mais um pouco passo por ali e escuto o segurança conversando com o bombeiro:
- ... e você acredita que eu tomei café de graça? Algum otário colocou dinheiro e não pegou o café. E depois a máquina ainda devolveu os 50 centavos!
Azar eu aceito. Agora se Murphy começar a dar uma de Robin Hood com o meu dinheiro eu vou ficar puto de verdade...
-Rafael 11:29 PM
Exculaxa, vai:
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(porque se alguma coisa pode dar errado, ela vai!)
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