Cena: eu numa balada.
Promoção: uma cerveja a quatro reais; três por dez.
Na carteira: oito reais.
Pela conta pode-se ver que eu só tinha dinheiro para comprar duas latas. Mas a gula - este pecado capital também aplicado aos etílicos - era maior. E como todo bom brasileiro, não podia deixar de tentar dar um jeitinho. Fucei mais na carteira e achei uma nota de um dólar, que eu tinha ganho de brinde no nhoque da fortuna no almoço. Afinal, se esse dólar era para dar sorte então ele ia me ajudar a comprar a terceira latinha de cerveja. Habilmente juntei o dólar aos oito reais e entreguei à caixa.
- Que é isso?
- Ah, desculpa, é que eu só tinha oito reais, posso inteirar com esse dólar?
- É brincadeira né?
- Ué, mas o dólar tá a dois reais e uns quebrados. Mas o troco pode ficar pra você.
Eu devia aprender a deixar de ser engraçadinho todo o tempo. Nessas horas dar uma de humorista não ajuda muito. A caixa, é claro, não achou graça nenhuma na hipótese de ter que fazer conversão cambial no fim da noite e não aceitou. E ainda me vendeu as duas latas com muito mal humor, e num tíquete só. O que ainda me rendeu mais situações...
Lei de Murphy no. 445: Quando sóbrio você fica pobre
Um dia da caça, outro do caçador. Dia desses me liga uma amiga minha, com uma voz pra lá de alcóolica, naquela combinação clássica de bebida e telefone:
- Rafaaaaa! Tá onde? - (porque os bêbados sempre querem saber onde estão os sóbrios?) - Em casa...
- Vem me encontrar aqui na praia! Contratei um grupo de pagode!
- Como é?!
Não deu nem tempo de perguntar como assim. Na curiosidade, acabei indo. Ao chegar, me deparo com a cena dantesca, porém não menos engraçada: a tal amiga (que sempre odiou pagode) se acabando de dançar, descalça e bêbada para um monte de gente, incluindo o tal grupo de pagode. Quando me vê ela me abraça e eu pergunto:
- Que zona é essa?
- Ih, sei lá, esses pagodeiros tavam passando e eu disse que dava cinqüenta reais se eles ficassem tocando pra mim.
- Mas você não gosta de pagode.
- Tá, eu também não tenho dinheiro, e isso também não me impediu.
Pelo pensamento lógico concluí que dificilmente conseguiríamos sair correndo e despistar cinco pagodeiros com ela daquele jeito (acho que nem sóbria conseguiríamos também, mas enfim). É claro que dizer que ela não tinha dinheiro não foi nada engraçado, então a muito custo eles aceitaram os únicos trocados que eu tinha e fomos embora dali o mais depressa possível para evitar que ela contratasse, sei lá, um grupo de dançarinas de axé no caminho. Eu mereço esses amigos...
Dinheiro na mão é vendaval. E dinheiro na mão de bêbado é alegria - dos outros, claro. Essa semana recebi um dinheiro que estavam me devendo no trabalho e por falta de tempo acabei não depositando e pela carteira ele ficou. Eis que estou eu na gandaia ontem e começo a entornar, sem aquela habitual preocupação de não gastar demais pra deixar o dinheiro da passagem. Pra quê, né? Quando acordei hoje de tarde comecei a ter flashbacks e lembrar como todo o dinheiro evaporou-se. Além da minha conta exagerada, eu fiz amizade com um grupo de americanos da Califórnia e sabe-se Deus por que razão (tenho certeza que na hora fazia algum sentido fantástico) eu achei que ia ser legal bancar uma rodada de cerveja para eles. É, realmente, quando você chega num nível que está pagando bebida pra gringo e achando tudo muito divertido é porque já ultrapassou qualquer limite da razão. É por essas e outras que eu tenho que aprender a nunca nunca sair de casa com mais que 20 reais na carteira.
Lei de Murphy no. 443: Você não vai resistir à correntes
Eu odeio email de powerpoint, clicar no patinho do orkut e principalmente corrente. Como se eu não tivesse nada melhor pra fazer na vida do que ficar passando adiante idiotice por email para o meu desejo se realizar. Mas assim como a Dama que não comenta, eu não consigo resistir. Não vou sair numerando as minhas manias também, mas eu admito: eu tenho uma! Umazinha só. E tal qual a da Dama, é uma bem limpinha.
Eu não posso ver o pano de prato largado pela cozinha. Eu sempre pego e penduro ele nas costas de uma das três cadeiras da mesa da cozinha. Mas tem que ser na cadeira do meio. E com a estampa virada pra cima. E pendurado metade pra dentro e metade pra fora. Sempre.
Tá, eu tenho um TOC leve, e daí? O David Beckham também, e ninguém reclama dele, não é?
Lei de Murphy no. 442: Celebridades não sabem colocar nome em criança
Criança sofre. Se pais normais já têm criatividade de sobra, quando é "artista" então... sobra inspiração. Ou será que tem algum outro motivo pra colocar na pobre criança o nome de....
Banjo - até onde eu sei era só um instrumento musical. Mas é também o filho daquela atriz de A Sete Palmos, Rachel Griffiths.
Sistina - não só a capela de Michelângelo, mas também a filha de Sylvester Stalonne.
Maçã - ilustre filha de Gwyneth Paltrow com o cantor do Coldplay. Ainda bem que Apple é o alimento escolhido. Senão poderíamos ter entre nós uma criança chamada, sei lá, Strüdel Paltrow.
X-Men - Ela já foi Lara Croft. E parece que quer que seus filhos sejam x-men. Qual outro motivo de nomear seus adotados de Zahara e Maddox? Pelo menos são nomes legais. Vamos ver como os gêmeos se chamarão (já que Angelina Jolie disse que eles terão nomes namíbios... o que não é muito animador, visto que os nomes mais populares de gêmeos na Namíbia são Ndilokelwa, Kaleinasho e Kalambeehamba - isso é verdade e como eu descobri não me perguntem).
e pra completar a lista, o nome que vocês vão ouvir pelo resto do mês, mais do que o do astronauta brasileiro:
Suri Xenu L. Ronnette Holmes-Cruise - a filha [alienígena?] de Tom Crazy, quer dizer, Tom Cruise. Isso depois de ele dar uma entrevista dizendo que ia comer a placenta e o cordão umbilical da criança logo após o nascimento silencioso (como se fosse possível passar uma criança num buraco que cabe uma cenoura e não gritar, mas enfim). E fica a pergunta: no set de qual filme que ele bateu [violentamente] a cabeça??
(Detalhe: já me disseram que "Suri Xenu" significa "meu pai cheirou" em bengali).
Olhando assim a Baby do Brasil parece até normal. O que me causa certo pânico.
E o pior é que desse jeito quando eu tiver minha filha, o nome dela - Shaneequ'a Kelly - vai ser super normal. Malditas celebridades!
No meu trabalho tem um restaurante e nele trabalha uma copeira que é o esterótipo em pessoa. Gorda, negra e com a língua presa, ela usa há mais de um mês a mesma camiseta de vereador. E eu, por ser uma pessoa simpática, sou um dos poucos que dou atenção à coitada. E pago meu preço por isso, claro, afinal se eu fizesse alguma coisa que desse certo, não teria porque escrever aqui.
Já era tarde da noite e eu ainda no trabalho. A copeira passa pela minha sala e pergunta:
- Seu Rafael, o senhor tá com fome?
- Olha, agora que você falou, estou sim.
- Deixa comigo!
Passa um tempo volta ela, toda sorridente, com um prato de aspecto esquisito.
- O que é isso?
- É sobra.
- Como é?!
- Sobra. Sobrou dos pratos dos clientes, eu guardei pro senhor.
E me lançou um olhar carinhoso. Eu sinceramente não sabia o que fazer. Ela tinha se dado ao trabalho de guardar tudo que ninguém comeu e montar um prato pra mim. Só pra mim. E agora estava ali parada na minha frente, toda feliz, esperando eu comer. Eu gentilmente agradeci e dei um jeito de me livrar da comida. Isso é pra eu aprender a nunca mais comentar sobre as minhas necessidades fisiológicas no trabalho!
Tô com tanta história pra contar que tô até com medo de esquecer alguma...
Essa de hoje aconteceu com o primo de uma grande amiga.
Lei de Murphy no. 440: Cachorros musicais vão atacar pedestres na sua frente
Ele vinha andando ali pela Av. Atlântica, ponto comum para donos de cães levarem seus animais para passear. Não muito longe dele passava uma senhorinha com um rottweiller cujo nome era Samba (ninguém precisa apontar o quão ridículo é um cachorro desses chamado Samba. Mas pelo menos não é Pagode - insira risada de claquete aqui). É claro que se o Samba quisesse, a qualquer momento poderia soltar-se da coleira. Afinal aquela senhorinha não ia conseguir segurar nem um poodle, que dirá um roitweiller. E foi mais ou menos isso que aconteceu.
Samba, por qualquer motivo, cismou com uma transeunte inocente e soltou-se da coleira a correr atrás da moça. A dona do cão, temendo o pior, começa a gritar pra mulher não correr, e em seguida chama pelo cachorro.
-Não corre! Não corre! Samba!
A pobre moça, coitada, que vinha correndo calçadão afora com um rottweiller na cola, parou, encarnou Valéria Valenssa e... começou a sambar! É claro que isso não impediu o ataque do cão, mas gerou risadas coletivas a todos que presenciaram a cena. Inclusive no primo da minha amiga, que teve que sentar na calçada e até hoje ri só de lembrar da mulher tentando sambar enquanto o cachorro mastigava a perna dela.
e para encerrar a sessão vídeos Vale Tudo, Heleninha Roitman na sua melhor performance. Pocotó, pocotó!
Ah... mal posso esperar até a Nazaré virar cult também.
e só para não passar em branco...
Lei de Murphy no. 439: Você vira atriz por causa de uma alcoólatra
História verídica.
Amiga minha igualmente fã de Heleninha Roitman descobriu não sei onde há alguns anos atrás que a Renata Sorrah ia dar um curso de atuação. Não pensou duas vezes e se matriculou, mesmo não tendo pretensão alguma de um dia virar atriz. Aliás, estava mais para Heleninha mesmo. Freqüentou o curso o quanto pôde, até que um dia, após a aula, conversando com colegas, descobriu que não só ela mas quase todos estavam doidos para ver Renata Sorrah fazer um pouco de Heleninha, mas todo mundo estava com vergonha de pedir. Afinal, muita gente sabe que Beatriz Segall sequer pode ouvir falar de Odete Roitman que dá um ataque. Mas será que Renata era assim tão estrela? Por não ter nada a perder, no fim da aula seguinte ela pediu a palavra:
- Sabe o que é, Renata? É que a gente queria muito te pedir uma coisa...
- O quê? Pode pedir! Pede gente!
- ... A gente queria que você fizesse um pouco de Heleninha Roitman pra gente...
E Renata, muito franca, achou o pedido divertidíssimo e pôs-se a fazer um improviso helênico. A turma foi ao delírio, e a minha amiga finalmente conseguiu o que queria. Depois dessa e até o final do curso a turma não deixava Renata ir embora sem antes fazer alguma helenidade. E o melhor de tudo é que ela realmente se divertia fazendo! True story.
Lei de Murphy no. 438: Você vai descobrir uma doença rara
Ontem chegou um funcionário novo no trabalho. Ele já conhecia alguns outros funcionários, mas eu jamais o tinha visto mais gordo. E para querer mostrar um pouco de descontração no ambiente de trabalho, resolvi puxar um papo. Notei que ele estava com uma camisa de mangas compridas e um dos braços pendurado no pescoço por uma tipóia. Tava ali uma grande deixa para começar um assunto qualquer:
- E esse braço cara, machucou?
Senti alguns olhares à minha volta direcionados para mim. Ele, hesitante, respondeu:
- É, machuquei...
Depois vieram me dizer que ele tinha tido poliomelite e o braço dele era atrofiado. Mas porra, como é que eu vou adivinhar? Até onde eu sabia, poliomelite só atrofiava pernas! Realmente, só eu mesmo para além de achar uma pessoa com polio no braço, ainda achar um que esconde e mandar uma pergunta dessas... Parece até a história da falsa grávida.
Depois disso, fiquei pensando: meu chefe é cego, agora um cara semi-aleijado... O que que é isso? Filial da AACD?!
Lei de Murphy no. 437: Sua mãe não pode ver nada de graça
Minha mãe, juro, tem alma de pobre. Toda semana ela aparece em casa com um encarte das Lojas Americanas "porque de vez em quando tem promoção de tupperware". Além disso, ela não pode ver nada de graça dando por aí. Garrafinha daquelas de colocar na bicicleta aqui em casa tem umas vinte - mas bicicleta mesmo nenhuma. Outro dia, porém, ela atingiu o seu ápice. Fomos a uma estréia de uma peça que era patrocinada por uma marca de pães. E no saguão do teatro tinha uma mesa com panetones grátis.
- Olha, tão dando! Pega um!
- Pra quê? Eu não quero.
- Mas é de graça!
- E é um pa-ne-to-ne! E estamos em março!
- E daí?
- Daí que esse panetone deve estar aí desde o Natal.
- Panetone não estraga.
- Ah não? Então eu vou lá pegar um, mas você vai ter que comer ele todinho, tá? Depois me diz se te fez bem.
Ela ficou puta. Mais por não ter levado o panetone do que pela malcriação em si. Mas tem limite né?
Enquanto isso, na sala de justiça...
Informação que vai mudar sua vida: sabia que em maio vamos ter o relógio marcando
Eu sempre fui metido a engraçadinho, até mesmo nas horas que é para ser sério. Afinal, eu vim na vida pra rir. E raramente desperdiço uma deixa de piada, mesmo que ela seja péssima. Como foi o que aconteceu outro dia quando fui ao cinema.
- Meia pro filme tal, por favor.
- São 8 reais. O senhor gostaria de levar uma mocinha por mais 2 reais?
Olhei para o doce. Olhei para a caixa do cinema, com cara de quem está ali há vinte horas fazendo a mesma pergunta e ninguém comprou. Não podia desperdiçar a deixa:
- Não, obrigado. Não quero chupar uma mocinha hoje não.
Ela ficou passada e não sabia se ria ou se se escondia. Devia ser evangélica, é claro (afinal, Lei de Murphy...). Mas foi engraçado. Quase deu pra ouvir a risada de claquete no fundo.
...::: nos fones de ouvido:
(passe o mouse por cima para saber)
...::: Nos finais de semana, vc me encontra:
dormindo, em casa.
...::: Sou viciado em:
AMERICAN IDOL
CINEMA
HELENINHA ROITMAN / NAZARÉ
NOVELAS TOSCAS
COISAS TRASH
IN MEMORIAM
...::: Mas afinal, quem é Murphy?
Murphy foi um físico que trabalhava na NASA.
Ele disse que não importa quantos cálculos fossem feitos para se
lançar uma nave no espaço, alguma coisa ia dar errado. Alguém vai esquecer um número,
um parafuso, alguma coisa que leve ao caos completo. Bom, depois que a Challenger
explodiu, ele perdeu o emprego, mas a Lei de Murphy permaneceu
- e continua atormentando nós, simples mortais.
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