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Sábado, Julho 29, 2006
Lei de Murphy no. 470: Você tem um carro mas não sabe usar
Amigo meu espanhol foi viajar dia desses e deixou o carro dele comigo e outro amigo, também brasileiro (o que é a inocência, não é, minha gente?). É claro que na mesma noite resolvemos nos jogar na balada madrilenha, devidamente motorizados. Só que quando a esmola é demais, Murphy vem em cima. Entramos eu e ele (o mesmo do arroz, por sinal), no carro:
- Ué...
- Que foi?
- Não tô achando a ré... o câmbio não quer ir pra trás.
- Tenta com força!
(barulho de caixa de marchas sendo violentado)
- Ok, isso não soou como ré. Acho que não deve ser atrás então. Mas tampouco estou vendo o botão de levantar o manete e jogar o câmbio pra frente.
- Tenta com força!
(mais barulho)
- Tá, não é aí também. Procura um botão no painel.
- Nunca vi um carro com ré de botão.
- Já sei! Vamos perguntar para alguém na rua!
- Brilhante! Porque dois brasileiros tentando sair com um carro perguntando onde fica a ré vai parecer super normal!
- Vamos sair assim mesmo então.
- Eu não posso sair sem engatar a ré.
- Por quê?
- Pra começar, porque eu preciso sair da vaga...
- Ah! O manual! Vamos procurar no manual então!
Eu pego o manual e começo a ler.
- É... Tá difícil.
- Que foi?
- O manual tá em italiano e eu não tenho a menor idéia de como é "ré" em italiano!
- Ah, procura uma coisa tipo "il marcha retta"! (fazendo sinal com a mão - porque todo mundo quando tenta falar italiano faz aquele gesto de fechar a ponta dos dedos??)
Quarenta minutos depois (e muita interpretação de desenhos de marchas também) eu finalmente aprendi que "marcha ré", em italiano, é "marcia indietro". E pra colocar a maldita era só empurrar o manete pra baixo (coisa que qualquer criança teria dado conta em alguns segundos). E a gente nem tinha tirado o carro da vaga ainda...
..:: por Rafael, às 3:37 PM
Esculaxa, vai:
Quarta-feira, Julho 26, 2006
Murphy de Babel, III
Lei de Murphy no. 469: Armários não têm genitália
Uma das pessoas mais engraçadas que conheci aqui é uma Polaca que mora aqui em Madrid. Como ela não sabe falar espanhol muito bem, volta e meia acabamos nos comunicando em inglês mesmo. Com direito àquele sotaque super clichê de um europeu oriental quando fala inglês, puxando todos os erres. E como ela fala merda, meu Deus! É sempre alguma história de sexo ou um palavrão no meio da história, que ela insiste em perguntar a tradução em espanhol:
- How do you say 'holy shit' in spanish? "Sacrrrada Caca"?
Daí pra baixo. Bom, e logo que ela chegou aqui foi tentar comprar um armário. E, claro, Murphy adora fazer pegadinhas lingüísticas:
- Hola! Yo quierrrro un arrrmarrrio con grrranndes cojones!
O vendedor morreu de rir. Pudera. Enquanto a intenção dela era falar "cajones" (gavetas), acabou falando "cojones", que são... testículos! Eu sempre rio quando imagino essas frases escutadas por um nativo. Imagina se entra uma polaca na sua loja e te pede um armário com testículos grandes? Passo mal de rir!
..:: por Rafael, às 4:03 PM
Esculaxa, vai:
Segunda-feira, Julho 24, 2006
Murphy de Babel, II
Lei de Murphy no. 468: Papelarias não são farmácias
Mais uma dos "Tugas". Amiga da minha mãe há alguns anos foi para Portugal. Arquiteta, ela logo começou a fazer alguns projetos, e resolveu descer até a papelaria mais próxima para comprar coisas para poder trabalhar.
- Boa tarde. Eu queria uma durex, por favor.
- Aqui não vend'mos disso não s'nhora.
- Como não vende? Eu quero uma durex!
- Já lhe disse que não temos disso aqui!
- Mas eu trabalho com isso! Preciso de uma durex para trabalhar!
Bom, ela acabou indo embora sem se fazer entender mesmo. A única coisa que tanto ela quanto o português concordaram, no entanto, foi que ela saiu de lá, digamos, "muito puta". Explica-se: "durex", em Portugal, não é fita adesiva, é camisinha... Agora pensem no diálogo acima com o contexto que acabei de explicar e digam-me se ela realmente não saiu de lá "muito puta"?
Enquanto isso, na Sala de Justiça...
Desses comentários dos posts eu já aprendi a esperar de tudo. Desde gente muito simpática até gente muito doida, passando por ofertas sexuais inclusive. Mas até que de vez em quando não é que aparece uma boa idéia? Sem querer me vangloriar muito, mas achei bem interessante a idéia da Roberta: "quero ver o Rafael no Jô!". É, quem sabe? Se até a Bianca Exótica foi, por que eu não? hehehe...
..:: por Rafael, às 1:49 PM
Esculaxa, vai:
Sábado, Julho 22, 2006
Lei de Murphy no. 467: O "melhor" acontece quando você não está
Parece que foi só eu sair fora que a anarquia televisiva tomou conta...
Imune a tudo
Conversando dia desses com um amigo no MSN:
- Pôxa, depois que eu vim embora começou a morrer um monte de gente. Primeiro o Bussunda, o Raul Cortez, agora o Gianfrancesco Guarnieri...
- Menos a Dercy! Essa nem você leva! Até o Papa já morreu e a Dercyzona nada!
Incestíssima
Outro dia recebo um email da minha mãe. Ao invés de dizer que está com saudades ou perguntar se estou comendo direito, ela conta o [confuso] final de "Belíssima":
"A filha da Bia Falcão era a Vitória que era casada com o neto dela, portanto ela casou com o neto da mãe. Ela então era tia do marido e a filha deles era neta e bisneta ao mesmo tempo da Bia. Como ela tb era filha do turco Murad era irmã de todos os filhos dele. No fim a Bia acaba em Paris com o Mateus como amante. O Mateus era filho do Semil que era filho do Murad, mas como na verdade o Semil não era filho do turco e sim do grego Nicos e esse casou com a Júlia neta da Bia ela então tem como amante o filho do marido da neta."
Hein?! A única coisa que entendi é que o Henri Castelli pegou uma mendiga no sinal da Paulista, e que entre 50 mil mendigos de São Paulo ela traçou justamente a que era a tia há muito perdida dele. O que são as novelas, não é, minha gente?
Cuidado! Inflamável!
Já tinha acontecido aqui na Espanha há algumas semanas: uma apresentadora de tv fazendo a linha Heleninha Roitman no ar. Mas eu jamais esperava que o Fernando Vanucci, depois de aparecer comendo um biscoito no Globo Esporte há alguns anos, ia encarnar o Orestes na "Errei de TV!".
Nunca é tarde para começar
Mas a melhor, mais surreal e com certeza já um clássico como Ruth "Sanduíche-iche" foi a senhorinha anciã que resolveu dividir com a audiência da novela das 8 (apenas algumas poucas pessoas), sem nenhum pudor, que dia desses deram um trato nela e ela acordou sem calcinha, arreganhada e toda babada ouvindo Roberto Carlos (onde exatamente babaram ela, no entanto, ela teve a decência de omitir).
É, minha gente, o que é desse país sem mim? Rsrs... Tenho até medo dos meses por vir!
..:: por Rafael, às 9:32 AM
Esculaxa, vai:
Terça-feira, Julho 18, 2006
Trabalhando dois empregos, 12 horas por dia... Não sobra muito tempo! Mas tenho toneladas de histórias para contar e vou me esforçar para postar o mais que puder!
Murphy de Babel, parte I
Lembra aquele comercial de um curso de idiomas onde o cara tentava falar uma coisa e acabava dizendo outra com significado completamente diferente e terminava numa senhora saia justa? Pois isso não é ficção. E com Murphy ao meu lado, esse cara bem que podia ser eu!
Lei de Murphy no. 466: Chineses não vendem alucinógenos
Aqui na Espanha todas as tomadas são redondas, porém o carregador do meu celular é quadrado. Nada que um mero adaptador não resolva. Entrei num mercadinho chinês que tem aos montes por aqui e vende de tudo (de preço bom e qualidade... bem, o preço é bom!), certo que ali encontraria a solução do meu problema. Pequeno problema: como explicar, com meu espanhol ruim, para uma chinesa, com espanhol pior ainda, o que é um "benjamim"? (Palavra que eu nem ousei tentar porque nem no Brasil todo mundo sabe o que é...)
- iHola! Tienes um "T"?
- Qué?
- Um "T"!
- Té? Si!
Ela vai e me volta com uma caixa de chá.
- No, no! Mira, um "nariz de puerco"!
(levanto a ponta do meu nariz e aponto pra ele)
- Qué?
- De tomada! Mira: (faço sinal de tomada com o indicador e o médio) Bzzz!
- Qué?!
Ela começou a me olhar muito confusa, já que deve ter entendido que eu queria algum chá (lógico, porque "té", em espanhol é chá) para cheirar (porque "puerco" só existe no meu dicionário) que me deixasse "ligadão" (Bzzz!). Só depois de um tempo é que a gente se entendeu e eu consegui comprar o adaptador - que em espanhol se chama, adivinhem, "adaptador"!
..:: por Rafael, às 3:07 PM
Esculaxa, vai:
Sexta-feira, Julho 07, 2006
Lei de Murphy no. 465: Sua carreira manda lembranças
Como eu não sou Doris Giesse para me alimentar de luz, e nem vim para cá cheio da grana, cedo ou tarde tive que arranjar um trabalho para manter minha subsistência. E como é praxe no exterior, tem sempre alguém que conhece alguém que sabe de um emprego (por mais excuso que possa ser). Assim eu fui parar numa empresa de piscinas que estavam buscando salva-vidas. Cheguei lá e depois de me apresentar a mocinha diz:
- Então, quando você pode começar?
- Amanhã mesmo.
- Ok. Então hoje à noite eu te ligo para te dizer onde será a piscina que você vai trabalhar.
- Só isso?
- Só, por quê?
- Você não vai perguntar se eu pelo menos sei, sei lá, boiar?
- Você sabe?
- Sei mas...
- Então hoje à noite eu te ligo. ¿Vale?
Ok. Eu realmente preciso apontar quantas possibilidades isso tinha de não dar certo? O que me consola é que eu já vi bastante S.O.S. Malibu na vida para ter uma noção do que é salvar alguém. O que me preocupa é que isso é suficiente para me considerarem apto a salvar a vida de uma pessoa (obviamente eles não conhecem meu histórico com Murphy).
De jornalista a salva-vidas de piscina. Isso que eu chamo de avançar na profissão!
..:: por Rafael, às 2:34 PM
Esculaxa, vai:
Segunda-feira, Julho 03, 2006
Luso sim, ó pá!
Lei de Murphy no. 464: Portugueses serão Portugueses
Amiga minha que mora em Portugal esteve por aqui ontem me visitando, e, claro, quando perguntei sobre alguma história peculiar lusitana, o que não faltaram foram causos, ora pois. Contava ela que há algum tempo o interfone do seu apartamento quebrou. Ela ligou para o conserto e ficaram de mandar um técnico no outro dia. Assim, no dia combinado, ela ficou em casa esperando na hora marcada. E nada. No dia seguinte ela volta a ligar para a companhia técnica:
- Olha, ficou de vir um técnico aqui ontem consertar meu interfone mas ele não apareceu.
- Como não, ó pá? Ele foi aí sim, mas não tinha ninguém em casa!
- Mas eu estava em casa o dia todo!
- Ora, mas ele tocou o interfone várias vezes e ninguém atendeu!
TÓIN!
Preciso comentar? E por mais incrível que pareça, esse tipo de situação não é rara por lá... rs
..:: por Rafael, às 5:06 PM
Esculaxa, vai:
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(porque se alguma coisa pode dar errado, ela vai!)
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