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Quarta-feira, Agosto 30, 2006
Lei de Murphy no. 479:
Então que devido a umas coisas que estou esquematizando por aqui (já já conto detalhes...) tive que fazer uma prova de nivelamento de inglês. E como Murphy não perdoa, é claro que na Espanha não tinha nenhum lugar disponivel para fazer o teste. Pior, nem na Espanha nem na Europa toda. O único lugar que ainda tinha vaga era onde senão Berlim - justamente onde eu estava! Prontamente me inscrevi. Sábado, às 10 da manha. Não sei se vcs sabem, mas os alemães são o povo mais certinho do mundo. Tão certinho que num cruzamento, de madrugada, as pessoas ficam paradas esperando acender a luz de "ande", mesmo em ruas onde não passa carro nenhum (é, dá pra ver que lá não tem assalto também!). Junta essa cultura do certinho com a pontualidade Britânica. Deu para imaginar? Agora joga Murphy na história. Como? Bom, que tal eu sair de casa 9:15 e pegar o metrô errado, e quando finalmente consigo voltar para a linha certa (são mais de 10), olho no relógio e já são 10 horas. E no aviso: "próximo trem em 10 minutos", fora os 15 que levaria até chegar na estação final. Acho um orelhão e enfio o cartão telefônico que, claro, não funciona (Será que a Telemar é alemã?). E no manual da prova dizia com letras garrafais que candidatos que chegassem após as 10 horas não seriam admitidos. Legal, né? Murphy me ama. Eis que, num momento de luz, meu celular, que estava há 7 dias fora do ar porque, pra variar, não pegava em Berlim, encontrou uma rede e funcionou. E por estar sem uso há tanto tempo, ainda havia crédtio (juro que nessa hora ouvi um "aaaaaleluia! aleluia! aleeeluuuiiaaa!" ao fundo). Consegui ligar e avisar que tinha me perdido. Irredutível, a mulher da prova mandou eu descer e pegar um táxi. Mas até eu achar um táxi e explicar onde queria chegar, prum taxista alemão, ia acabar chegando lá amanhã. Segui no trem. Ela me deu cinco minutos de tolerância, e passado esse tempo, ela liga.
- Onde você está?
- Eu estou chegando! Tô chegando!
- Você está no táxi?
- Tô! Tô!
Nessa hora a porra do metrô avisa "próxima estacao...".
- Eu estou ouvindo barulho do metrô! Você ainda está no metrô! Nao posso mais esperar por você.
Desesperado, eu resolvi chutar o balde. Joguei a compostura pela janela e comecei a pedir pelo amor de deus, fingindo um choro convulsivo, dizendo que tinha vindo de Madrid só pra fazer esse teste, que não falava alemão, que tinha me perdido, enfim. Ela desligou na minha cara. Pensei "piranha! tô fudido!". Às 10:20, depois de correr a pé mesmo um bom pedaço, cheguei.
Murphy é cruel, mas tem limite. Por milagre, intervenção divina, corpo fechado, cagada, enfim, dêem o nome que quiserem, a mulher disse que eu podia fazer a prova depois de todos. Não tenho como explicar o que significa para um alemão quebrar as regras, mas digamos que essa foi provavelmente a situação mais estressante dos últimos anos, provavelmente desde que quiseram me linchar no colégio há 10 anos. Mas tudo deu certo no final. Seria um sinal do fim da era Leis de Murphy?
..:: por Rafael, às 4:23 PM
Esculaxa, vai:
Segunda-feira, Agosto 21, 2006
Murphy pelo Mundo
Lei de Murphy no. 478: Você fica preso num museu pornográfico
Morar na Europa e não viajar lá dentro é que nem ir na praia e não se molhar. Assim, depois de tanto aperto, finalmente consegui me dar uma semana de férias e parti para Berlim. Assim que eu cheguei me perguntaram se eu não queria ir no Museu do Sexo. Um conceito tão bizarro que eu não consegui controlar minha curiosidade. O que será que estaria em exposição ali? Gente idosa trepando? Live Shows com dançarinas geriátricas? Bengalas de consolo? Fui (é esse na foto ao lado). O museu em si acabou sendo normal (use a imaginacão para definir o que seria "normal" num lugar desses), mas claro que Murphy sempre encontra um jeito de me perseguir onde quer que eu vá. Procurando a saída eu peguei um elevador e fui parar onde senão no subsolo - justamente onde virava um club de fetiches e couro, em que haviam vários senhores de certa idade com cara de Fritz tarado. E pra perguntar onde era a saída? Pior: e pra entender a resposta? Bom, depois de um tempo e uma cara de turista assustado, consegui achar a saída. Da experiência toda, o que mais me deixou confuso foi ver um cara parecendo o Stephen Hawking, todo troncho, saindo com sua cadeira de rodas elétrica de dentro de um quarto escuro. O que (aliás, quem) ele estava fazendo ali é que realmente foi a coisa que me deixou com mais curiosidade de tudo. Mas é como diz o ditado: para tudo na vida existe MasterCard.
..:: por Rafael, às 6:40 PM
Esculaxa, vai:
Sábado, Agosto 19, 2006
Lei de Murphy no. 477: Seu gatorro é quase um Garfield
Mesmo longe, minha mãe sempre manda notícias do meu gatorro. Recentemente a veterinária foi lá em casa vacina-lo e mais uma vez foi uma guerra para enfiar a agulha no bicho. Feito isso, ela recomendou que desse ao gato vermífugo, porque era bom fazer isso uma vez por ano. Depois de duas tentativas frustradas de enfiar um comprimido goela abaixo, já que na primeira ele gofou em cima da minha mãe e na segunda ele mordeu logo ela de vez, surgiu a brilhante idéia de misturar o remédio num sachê de salmão - uma dessas comidas de gato fresco. Pois bem. Ao sair de casa de manhã, ela deixou a armadilha preparada e foi trabalhar. Ao voltar à tarde, a empregada a recebe com más notícias:
- Patroa, sabe a carne moída da lasanha que a senhora deixou descongelando na pia?
- Sei, o que é que tem?
- Pois é, o gato comeu.
Como se ele fosse uma encarnação do Garfield e tivesse pensado: "vai sacanear a minha comida é? Vou sacanear a tua também!".
- Tudo bem. Mas voce jogou a carne fora, né?
Nessa hora a empregada abriu um sorriso orgulhoso como se tivesse tido a idéia do século:
- Não senhora! Eu tirei a parte que ele lambeu e fiz a lasanha! Tá lá na mesa, prontinha!
Enquanto isso o gato dormia, refastelado de carne de primeira, sem ter tomado remédio nenhum. Gato 1 x Mãe 0.
..:: por Rafael, às 7:32 PM
Esculaxa, vai:
Quinta-feira, Agosto 17, 2006
Lei de Murphy no. 476: Você fica trancado do lado de fora
Estava eu em casa dia desses enquanto um dos meus roommates fazia um flan na cozinha (uma tentativa espanhola de pudim de leite, só que bem menos doce). Como eu estava precisando fazer compras, ofereci ajuda:
- Vou no mercado, quer alguma coisa de lá?
- Ah, então me espera que eu vou com você.
- Mas e esse flan aí?
- O mercado é aqui do lado, em 5 minutos a gente volta, dá tempo.
Descemos e fomos. Como eu tinha que fazer as compras da semana e ele queria apenas comprar açúcar ou algo assim resolveu voltar logo.
- Rafael, me dá a chave que eu vou indo.
- Chave? Que chave? Você não pegou a chave?
- Não.
- Ué, eu também não.
Isso mesmo. Os dois trancados fora de casa, ambos sem chave, e um pudim no forno. "Ah, chama um chaveiro", vocês diriam. Muito bem. Acontece que se no Brasil um chaveiro é baratinho, aqui é coisa de mais de 100 euros. Pra melhorar a situação, ele tinha que ir trabalhar em meia hora e estava de bermuda e chinelo. Solução: lá fui eu até o trabalho do terceiro roommate pegar a chave dele. Detalhe: 40 minutos de distância. E como Murphy adora sacanear, é claro que eu peguei o metrô errado e demorei o dobro do tempo. Quando eu cheguei em casa, já tava esperando encontrar bombeiro e o caralho. Pra minha surpresa, abrimos a porta de casa e apesar da fumaça o pudim ainda estava ali. Eu até hoje não sei o que foi pior: essa confusão toda ou o fato de que os caras depois de tudo ainda comeram o flan[bado]. "Não tá tão ruim", eles disseram. Pelo sim, pelo não (e por Murphy também), eu resolvi não arriscar. Pelo menos nunca mais esqueci a chave de casa!
..:: por Rafael, às 5:23 PM
Esculaxa, vai:
Segunda-feira, Agosto 14, 2006
Lei de Murphy no. 475: Você vira babá involutariamente
A gente acha que só no Brasil existe barraco, né? Errado. Quem disse que gringo também não sabe dar um bom escândalo? Outro dia eu estava chegando no trabalho para mais um dia "feliz" na piscina quando escuto do lado de fora do portão do prédio uma algazarra matutina anormal. Vi um homem no chão e gente em volta e logo pensei "cruzes, mais um de fogo logo cedo". Passados alguns segundos, desce a síndica do prédio correndo e gritando "iRafa! iRafa! iAyudame por favor!". Resumindo: uma das moradoras foi entregar o filho de 3 anos para o ex-marido, e rolou algum desentendimento e o tal ex sentou a porrada no ex-sogro. A ex-sogra se meteu, a síndica desceu pra acudir e o circo estava armado. O que eu tenho a ver com isso? Bom, alguém tinha que tomar conta da criança enquanto a peleja rolava, né? E adivinha pra cima de quem empurraram a criaturinha? Pois é. Logo eu, que "adoro" criança, tive que passar uma manhã inteira cuidando dele enquanto chegava polícia, ambulância e o diabo a quatro (sim, o negócio foi caliente). E pra melhorar tudo, justo nesse dia eu tinha convidado a minha amiga polaca para passar o dia comigo. Ao ver a confusão toda, ela pergunta:
- Todo dia é assim? Então é por isso que você odeia tanto vir pra cá...
Enquanto isso a criança transbordava em líquidos mucosos pelo nariz. Nessas horas realmente me dá vontade de voltar pra casa...
Enquanto isso, na Sala de Justiça...
Muitos meses se passaram, mas afinal eu vou responder a enquete:
O que o Rafael foi fazer em Madrid?
Enquanto quase 45% dos 845 votantes acha que eu vim vender meu corpo (vou tomar isso como elogio pela minha forma física), 24% acham que eu vim fazer um curso de dança flamenca (hahaha) e o o restante achou que eu vim fugido, sinto informar que essa enquete tinha uma pegadinha: nenhuma das respostas era a verdadeira. A verdadeira resposta é que eu vim estudar. Bom, ao menos essa era a idéia original. Porém, como num livro do Dan Brown, não vai ser bem assim... Enquanto o meu real destino ainda não é definido, divirtam-se com a nova enquete!
..:: por Rafael, às 12:02 PM
Esculaxa, vai:
Sexta-feira, Agosto 11, 2006
Lei de Murphy no. 474: Seu sotaque é alcoólatra
Numa cidade onde você conhece poucas pessoas, é normal que outros que estejam na mesma situação que vc acabem se tornando seus amigos mais próximos. Como é o caso da minha amiga polonesa (aquela que queria comprar armários com testículos). Outro dia ela me convidou para jantar na sua casa. Eu, ela e outra polonesa. Entre um papo e outro, ela tira do armário (sem testículos) uma garrafa de "Zubrowka", uma vodka polonesa "mágica", segundo ela mesma. A magia do negócio deve-se ao fato de dentro da garrafa haver um fiapo de uma grama de uma reserva onde moram uns bisões. Enfim, não entendi muito bem mas como se tratava de álcool, eu ia aceitar até se fosse grama de terreiro de macumba do Pai Tião. E como entre duas polacas e um brasileiro o espanhol não é a língua comum, conversávamos todos em inglês. Ao final do meu 2o copo de Zubrowka, elas me perguntam:
- O que aconteceu com seu inglês?
- Por quê?
- O sotaque... ficou britânico!
- Como britânico, se eu nunca fui na Inglaterra?
- Não sei, mas tá britânico.
E elas não são as primeiras a me dizer isso. Há um tempo atrás, ainda no Brasil, eu conheci duas inglesas que ao final de 2 caipirinhas me disseram a mesma coisa. Para não ter dúvidas, depois disso perguntei para uma amiga Londrinense, durante uma sessão de bebes:
- Você acha que meu sotaque fica mais britânico quando eu bebo?
E ela, naquela apurado humor inglês, responde:
- Deveria ficar mais irlandês, isso sim.
Conclusão: não existe sotaque britânico. O que existe é sobriedade!
..:: por Rafael, às 12:21 PM
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Terça-feira, Agosto 08, 2006
Murphy de Babel, IV
Lei de Murphy no. 473: Você passa de tarado frutífero
Meu outro emprego (eu tenho três, o que é beeem cansativo..) é numa loja de sucos. Outra vez, a carreira manda lembranças. Entre espremer uma laranja e outra, sempre dá pra puxar um papo com um freguês - geralmente um turista, ou um madrilhenho mais simpático (uma rareza, mas há uns poucos). Assim que outro dia eu estava levando uma conversa animada com uma espanhola, e papo vai, papo vem, fui fazer o suco dela. Quando voltei para servir, resolvi perguntar se ela queria um canudinho. Agora é que entra Murphy (sempre com um timing perfeito, já repararam?). Vejamos: o sufixo ITA ou ITO, em espanhol, serve como diminutivo de algumas palavras. Por exemplo: Guapa, guapita. Pequeño, pequeñito. Assim que "pajita", que é canudo, eu concluí que deveria ser "canudinho", e canudo seria a mesma palavra, só que sem ITA, certo? Coloquei o suco no balcão e perguntei:
- Quieres una paja?
Ela fez uma cara assim meio de assustada, meio de ofendida, jogou o dinheiro e saiu sem falar nada. "Transtorno bipolar", pensei. Porém dias depois eu fiz a mesma pergunta para outro cliente e o gerente da loja, ao ouvir, me puxou pro lado e me pediu para não falar isso porque "paja" não é o normal de "pajita" como eu pensava, e sim "punheta". Pois é. Basicamente eu perguntei pra mulher "E aí, vai uma punheta com esse suco?". Eu mereço...
..:: por Rafael, às 6:03 PM
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Sexta-feira, Agosto 04, 2006
Lei de Murphy no. 472: Você não luta com tubarões, mas...
Conversa entre eu e o meu amigo italiano (aquele da tatuagem) sobre a praga infantil suicida da piscina:
-... então eu tive que pular na água de roupa e tudo e ainda perdi a lente.
- Você saiu correndo que nem em Baywatch?
- É né, fazer o quê? E ainda ralei meu pé porque bati com ele na borda quando fui mergulhar.
- A Pamela Anderson não rala os pés quando salva gente se afogando.
- Ela corre na areia fofa, e não na borda de pedra, que é mais perigoso.
- Perigoso? A Pamela Anderson já ficou presa numa caverna submarina sem oxigênio.
- Eu fico sentado debaixo do sol o dia inteiro. Ela tava na caverna mas lá tinha sombra.
- ... e na caverna ela teve que lutar com um tubarão no mano a mano.
- Eu não tenho tubarão na minha piscina mas em compensação tenho crianças, que é pior.
- Você viu a manifestação ontem? 7 mil pessoas na praça!
- Contra o quê? Crianças? Droga, e eu perdi isso?
- Não, contra a guerra!
- Ah, tá, vc mudou de assunto. Se bem que essa idéia de uma manifestação contra crianças não é má idéia...
E realmente não é. Imaginem que maravilha: um mundo sem crianças! Ah, utopias...
..:: por Rafael, às 1:51 PM
Esculaxa, vai:
Quinta-feira, Agosto 03, 2006
Lei de Murphy no. 471: Crianças suicidas fazem você ficar meio cegueta
Ah, crianças. Tem coisa que relaxe mais do que trabalhar com elas? Imagine então um bando de crianças de férias, numa piscina enorme. E você, um falso salva vidas, tendo que aturar todas elas. E, claro, como reza Murphy, elas vão fazer de um tudo para enlouquecer você. Inclusive tentar se suicidar. Bom, ou quase isso. Lá na piscina onde estou temporariamente trabalhando (ênfase no temporariamente, por favor, para eu não esquecer que ainda sou jornalista), tem uma praga infantil dessas que deixam a gente "zen": a peste grita, joga água nos outros, empurra as outras crianças... E sobra pra quem, senão pro "tio" Rafa aqui? Um belo dia esse mesmo demônio-mirim resolve que as bóias de braço incomodam ele demais e ignora o fato de que ele, com 3 anos de idade, não sabe nadar. E pula. E, claro, afunda. E eu só escuto alguém gritar: "iPelo amor de Dios, el niño!". Na mesma hora incorporei o espírito de Mitch Buchanan e me atirei dentro d'água com roupa e tudo pra salvar a peste (apesar de até hoje duvidar se tê-lo deixado no fundo da piscina não teria sido melhor... enfim). Aí você pergunta: "mas e a mãe da criança?". Bom, ela estava batendo um papo muito animado no celular e quando eu tirei o filho dela da água só ouvi ela, muito franca, dizer:
- Mamãe, deixa eu desligar que o meu filho tá se afogando. Tá, depois eu ligo, beijos.
Assim, na maior calma. E nem me disse obrigado. E eu tive que passar o resto do dia semi-míope porque a droga da lente (esquerda) foi-se quando tive que abrir os olhos debaixo da água para catar ele. É por isso que eu "adoro" criança... .
..:: por Rafael, às 2:24 PM
Esculaxa, vai:
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(porque se alguma coisa pode dar errado, ela vai!)
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