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Terça-feira, Fevereiro 27, 2007
Lei de Murphy no. 546: Você come batatas "crocantes" biodegradáveis
Estamos eu e a tal escocesa escondidos na cozinha, dizendo pra todo mundo que no nosso copo só tinha Coca-Cola quando o que menos tinha ali era aquilo. E já que estávamos fuçando tudo mesmo, resolvemos procurar alguma coisa pra comer. Eis que abrimos o forno e tinha uma travessa enorme de batatas fritas ali dentro. Hah! Mas era isso mesmo! Decidi tirar o tabuleiro e começar a comer. Devido ao meu estado já alterado, ao puxar o tabuleiro metade das batatas caiu dentro do forno. Kerri ficou alarmada, mas eu resolvi tranquilizá-la:
- Não se preocupa Kerri. Batata é biodegradável.
Seja lá o que eu quis dizer com isso, ela entendeu e ficou calma. Enquanto comíamos as batatas felizes e contentes, chega o namorado da indiana dona da casa:
- Vocês estão comendo as batatas que eu coloquei no forno?
- Hã... Bom, sim. Mas não fui eu que deixei elas caírem lá dentro, foi ela.
- Rafael!
- Não importa. Mas vocês ligaram o forno? Porque eu me lembrei que tinha esquecido de ligar...
Bem que eu tinha desconfiado que a batata estava "crocante" demais. Tava era crua, isso sim. O fato do de eu não ter me queimado quando peguei o tabuleiro com a mão devia ter dado a dica, mas o que é o álcool na vida de uma pessoa, não é mesmo?
E diz o ditado: tá no inferno, abrace o capeta. Então assim que o indiano saiu da cozinha eu e a escocesa voltamos a comer as batatas cruas - que nem estavam tão ruins assim. Por que será que as coisas mais improváveis têm gosto melhor quando a gente tá bêbado?
Enquanto isso, na Sala de Justiça...
Tem post novo no "spin-off" do Leis de Murphy com ISAC, o Fantástico Mundo dos Nomes!.
..:: por Rafael, às 11:26 AM .::.
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Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007
Lei de Murphy no. 545: Você chega na festa e não tem mais bebida
Literalmente horas depois eu finalmente chego na vizinhança onde a tal indiana mora. E quem disse que eu lembrava o endereço certo? Eu tinha tudo anotado no celular, afinal papel é uma coisa do passado, não é?, mas o maldito tinha ficado sem bateria. Tudo que eu tinha agora era uma vaga lembrança que era o número 66 ou 74. Ou talvez 64 e 76. Enfim, alguma combinação desses dígitos. Andei a rua toda de janela em janela olhando dentro das casas pra ver se encontrava uma festa. Até que lá pelas tantas vi por uma persiana uma indiana com um tapa-olho e cheguei à conclusão que era ali. Ou uma coincidência incrivelmente bizarra de na mesma rua onde a minha amiga dava a festa pirata morar outra indiana de um olho só (o que não me espantaria, afinal, Murphy é Murphy). Felizmente era a festa. E por ter me atrasado tanto, quando eu cheguei é claro que já não havia mais uma gota de álcool naquela casa. Ao me ver fuçando pelo bar, uma amiga escocesa se aproxima:
- O que você tá procurando?
- Alguma coisa pra beber... Mas acho que já acabou tudo.
- Ih, já acabou sim. Só tem esse vinho vagabundo aqui ó:
(tira de uma saca o meu vinho).
- Kerri... esse vinho fui eu que trouxe...
- Não, não é o seu vinho não. Eu vi que foi a polonesa que trouxe essa porcaria aqui! Tá com gosto de mofo! Não bebe isso nao! Eca!
Resolvi não explicar e deixar a polonesa levar a culpa mesmo. Afinal eu já tava cansado e atrasado. Acabamos eu e a escocesa xeretando a casa toda até encontrarmos uma garrafa de vodka escondida num armário. Façam as contas: Rafael + vodka + escocesa bêbada = merda. Não podia dar outra coisa...
..:: por Rafael, às 12:47 PM .::.
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Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007
Lei de Murphy no. 544: Você se atrasa, mas seu amigo é pior
Por que carioca têm problemas com horários? (eu sou e digo por experiência). A gente tem mania de dizer "ah, vamos nos encontrar lá pelas 10" e chegar às onze. Só que nesse caso foi até pior.
Estava eu no caminho da festa de pirata (sim, era temática) na casa da indiana, já atrasado por ter tentando corromper o recepcionista do alojamento, e ainda tinha que fazer meu pit stop num bar brasileiro onde meu amigo ia comemorar seu aniversário. Ele tinha me falado "lá pelas 7 horas". Por ser carioca, cheguei às 8. Entrei e perguntei para o segurança da porta:
- Aniversário do *fulano*. Ele já chegou?
- Ah sim. Mesa pra X pessoas. Ninguém chegou ainda, você é o primeiro!
Putz. Nada pior que ficar sentado sozinho num bar, esperando. Mas fazer o quê? Espera, espera...espera mais um pouco... Quando deu 9 horas eu resolvi ir embora. Atraso tem limite. Além do mais, ia demorar um século pra chegar na festa da indiana. Na rua, já lado de fora, encontro com ele:
- Pô, você já tá indo, Rafael?
. Ah... Mas e a vontade de bater nessa pessoa? Gente atrasada me irrita... Dei um abraço e segui meu rumo. Rumo a Murphy, isto é. Porque, pra variar, além de atrasado eu ainda peguei o ônibus errado saindo de lá...
..:: por Rafael, às 6:32 PM .::.
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Domingo, Fevereiro 18, 2007
Lei de Murphy no. 543: Você tenta corromper um muçulmano
Cheguei no alojamento e me arrumei pra sair. Eu tinha que passar ainda no aniversário de outro amigo, mas como a festa da universidade era na casa de uma indiana que não mora no alojamento, fiz as contas e concluí que se eu saísse mais cedo dava tempo de ver o tal amigo e ainda chegar na festa na mesma hora que o resto da galera. Só não contavam com a astúcia de Murphy. Pra não ter que levar a garrafa de vinho estragado comigo, resolvi deixar na recepção do alojamento para que a minha amiga polonesa levasse quando ela saísse.
- Olá. Será que eu podia deixar uma coisa no escaninho do quarto 211?
- Sim, senhor.
- Toma.
Eu tinha esquecido que um dos mandamentos do Alcorão é não beber, e por isso os muçulmanos fogem do álcool como diabo da cruz (eu descobri isso inadvertidamente dando bebida para um muçulmanos. Um dia conto essa história). E o recepcionista, que era muçulmano, quando viu a garrafa deu um escândalo:
- Não! Por Allah, isso não é um bar, está pensando o quê?
- Eu sei que não é um bar, mas ela já vai descer!
- Não! Já disse que isso não é um bar nem uma loja de bebidas, tire essa garrafa daqui imediatamente!
É claro que justamente nessa hora a recepcao - que vive às moscas - estava cheia de gente, e pela maneira escandalosa que ele reagiu, todo mundo ficou olhando pra mim como se eu tivesse pedido para ele guardar drogas ou um imigrante romeno. Fiquei muito puto e tive que voltar tudo, ir até o quarto da polonesa e deixar o vinho com ela. E isso me fez sair atrasado, e com a maldita pontualidade inglesa quando cheguei no ponto o ônibus ja tinha saído. Era o começo de uma bola de neve Murphyana.
(continua...)
..:: por Rafael, às 6:25 PM .::.
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Lei de Murphy no. 549:
Eu sou normalmente uma pessoa simpatica no trabalho, contanto que nao queiram armar pra cima de mim. Ai as coisas mudam de figura. Como foi o caso da russa que trabalha la. Ela sempre foi meio capenga, meio lerda, mas ate entao simpatica. Ate o dia que estavamos trabalhando juntos e, justamente quando tem mais clientes na mesa, ela resolve ir pro break dela. Nao perdoei e fiz a caveira dela pra supervisora.
(...)
Eu encontro um copo cheio de absinto escondido no meio dos vinhos. Chego pro Robert e pergunto:
- Robert, voce esta bebendo em servico outra vez?
A russa, que eu tinha esquecido que era viciada em cheirar absinto e era a dona do copo, resolve se vingar de mim:
- Rafael, essa cor esverdeada combina com voce.
- Ah, e?
- Sim... parece veneno.
Comecou a troca de farpas.
- Entao cuidado pra nao beber do meu copo e morrer por acidente.
- Pode deixar, do seu copo eu nao vou chegar nem perto.
Filha da puta. Mas tudo que vai, volta. Resolvi me distrair arrumando a mesa. Achei uma garrafa de agua que eu sabia que era dela e joguei no lixo so pra provocar. cinco minutos depois ela aparece:
- Alguem viu minha garrafa de agua?
Eu, no momento mais cinico da minha vida, respondo:
- Ah, era sua? Desculpe, eu nao sabia. Joguei no lixo.
- Voce jogou minha garrafa fora?
A russa deve ter morrido de odio por dentro. E eu, abusado, resolvi ir mais longe ainda:
- Mas veja pelo lado bom: sua agua podia estar envenada, nao e?
E sai.
Aplausos, please.
..:: por Rafael, às 6:15 PM .::.
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Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007
Lei de Murphy no. 542: Você quer envenenar seus amigos
O pessoal da universidade volta e meia resolve fazer festinhas em casa. Naquele esquema do "tragam as bebidas", que sempre quebra meu orçamento. E como no meu trabalho volta e meia sobra uma garrafa (ou várias) de vinho "estragado", quer dizer, uma garrafa cujo vinho ficou bouchonée, ou contaminado pela rolha (ele fica com um leve gosto de mofo), eu resolvi ser malandro e unir a sede com a vontade de beber. Afinal, pra maioria das pessoas isso passa despercebido (eu inclusive). E eu fui criado na teoria de "nada se joga fora, a gente passa adiante". Cheguei pro meu chefe no fim do expediente e disse:
- Essas garrafas... elas vão pro lixo mesmo?
- Vão, por quê?
- Por nada... Será que eu nao podia ficar com elas não?
- Pra que você quer vinho estragado?
- É que eu tenho uma festa pra ir e pediram pra eu levar bebida...
- E você quer levar vinho contaminado?
- Se você deixar...
Ele me olhou meio abismado, mas concordou. E lá fui eu, cheio de vinho pra casa, crente que tava fazendo um grande negócio. Se nem eu percebo quando o vinho fica ruim, como é que um bando de universitários vai descobrir? Quando estava saindo, porém, ele completa:
- Rafael, por precaução, nunca me convide para uma de suas festas, ok?
Só que eu ja devia ter aprendido a nunca desafiar Murphy.... Porque ele sempre ganha. Sempre.
(continua...)
Enquanto isso, na Sala de Justica...
Só pra lembrar: tem post novo no meu outro blog, o Fantástico Mundo dos Nomes!
..:: por Rafael, às 1:12 PM .::.
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Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007
Lei de Murphy no. 541: Pessoas bebem qualquer coisa
Antes de começar a trabalhar como sommelier, eu sempre achei que essa história de provar vinhos e ficar inventando qualidades olfativas era pura frescura. Bom, mesmo depois de virar praticamente um enólogo essa opinião não mudou. Lá no museu de vinhos que eu trabalho o esquema é assim: tem um monte de vinhos no display e os clientes vão escolhendo e bebendo. Só que tem sempre uma anta que não consegue entender que uma garrafa vazia não é um vinho transparente, e por isso nós usamos garrafas 'falsas', pras pessoas poderem ver que cor é um rosé. E eu tava lá, trabalhando tranqüilamente, quando já no fim do dia uma cliente reclama:
- Esse Merlot rosé está esquisito... Não estou sentindo gosto de nada.
- Sim, minha senhora, esse vinho realmente é muito leve.
- Mas parece água.
- Não, minha senhora. O sabor dele é que é muito suave.
A polonesa que estava trabalhando comigo resolve se meter:
- Deixa eu cheirar esse vinho. Hm... Sim, eu acho que ele sofreu algum tipo de oxidação. Estou sentindo cheiro de sulfato neste vinho.
Invocado por ter minha opinião contestada, resolvi verificar a garrafa. Afinal de contas já era o fim do dia e apesar de algumas reclamações eu estava convencido de que aquele vinho não tinha nada de oxidado. E realmente não tinha. Aliás, nem de vinho tinha. Quando peguei a garrafa, virei atrás e li:
"Garrafa Falsa! Não servir!"
Já no finalzinho... Basicamente eu servi água com corante pra muita gente o dia todo. O que só serve pra confirmar minha tese: as pessoas acreditam em tudo que você disser contanto que você use um uniforme e diga com convicção.
..:: por Rafael, às 10:15 PM .::.
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Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007
Crescendo com Murphy (7)
Lei de Murphy no. 540: Você é acertado várias vezes no mesmo lugar
Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar (para-raios não contam). Só que pela Lei de Murphy, se você tem um machucado, a probabilidade de ser atingido justamente nele é de quase 100%. Ainda mais comigo, quando isso pode acontecer múltiplas vezes.
Quando eu tinha 2 anos eu tive um momento Nazaré Tedesco e caí da escada, batendo o supercílio no degrau a abrindo a testa. Diz a minha mãe que foram necessárias 3 enfermeiras para me segurar (eu era um bebê parrudo) na hora de levar os pontos e 5 na hora de tira-los (aparentemente eu fiquei com trauma bem grande de coisas na minha testa). Dois anos e uma cicatriz mais tarde, eu brincava por um parquinho no clube quando inadvertidamente passei atrás de um balanço, que veio com toda força no mesmo exato ponto da testa. Mais pontos; mesma cicatriz.
Não obstante, quando eu tinha 6 anos eu dei uma cabeçada na porta enquanto brincava de pega-pega pela casa e como eu era justamente da altura da maçaneta ela fez o favor de abrir minha cabeça. Adivinhem onde? Sim, no mesmo lugar. Pela 3a vez. Com tanta pancada na lata, não é de se admirar que eu seja desse jeito. Ainda levo a cicatriz comigo - que todo mundo acha que é aquele modismo de talhar a sobrancelha. Aí eu tenho sempre que explicar como eu tive a proeza de levar três porradas no mesmo lugar (o que não me faz parecer muito inteligente... pensando bem, daqui pra frente acho que vou começar a dizer que tô na moda mesmo...)
..:: por Rafael, às 11:14 AM .::.
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Terça-feira, Fevereiro 06, 2007
Lei de Murphy no. 539: Você vai ter um flashback chiclete
Volta e meia eu tenho sensação de déjà vu com várias coisas: andando na rua, no ônibus, falando com alguém... E de vez em quando esses déjà vu acabam puxando uns flashbacks absolutamente bizarros, de coisas que eu não tenho nenhum motivo por que lembrar, e que aconteceram há mais de 10 anos atrás. Como por exemplo outro dia andando na rua vi um anúncio da White Martins e lembrei de um menino que estudou comigo na 1a série, quando eu tinha 7 anos, cujo sobrenome era Martins. Por quê? Não tenho a menor idéia. Nunca mais vi o sujeito, e tampouco era amigo dele. Só lembro que ele tinha um diastema... Enfim. E agora há pouco, quando fui ao banco, vi um anúncio de caderneta de poupança e lembrei de um comercial que passava quando eu tinha uns 10, 12 anos, da Poupança Popotinha do Banco Real. E o pior é que esse maldito comercial da Popotinha tinha um jingle grudento que volta e meia volta na minha cabeça e permanece por dias:
Popotinha...
a poupança da alegria
todo dia você põe uma moeda no cofrinho
Popotinha
isso é Real
Sempre que eu vejo alguma coisa relacionada a poupança ou a hipopótamos me vem essa música na cabeça! Ninguém merece ter flashbacks de jingles de banco de 10 anos atrás e ficar com isso tocando sem parar dentro de você! Vou te contar...
..:: por Rafael, às 5:18 PM .::.
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Domingo, Fevereiro 04, 2007
Lei de Murphy no. 538: As pessoas vão confundir suas compras com lixo
Eu admito: compro produtos de supermercado genéricos, sim! É como comprar pão de forma da Sendas, ou batata frita do Carrefour. Eles são mais baratos, e ok, a qualidade não é lá a mesma, mas qual o problema? Bom, aparentemente um dos problemas é que as pessoas que não têm que comprar comida genérica podem confundir as suas compras com lixo. Sexta-feira no intervalo das aulas dei um pulinho no mercado e comprei alguns itens culinários que me faltavam. E larguei a saca (sim, eu uso o termo "a saca" de supermercado) num cantinho da sala quando voltei. Qual não foi minha surpresa quando, no fim do dia, minhas compras tavam cobertas de lixo? A galera deve ter achado que aquela saca no canto cheia de comida com embalagem sem marca era lixo e despejou o resto de seus almoços lá dentro.
Ah, vou te contar. Que esculhambação. Não se pode nem mais ser pobre em paz!
..:: por Rafael, às 1:27 PM .::.
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Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007
Crescendo com Murphy (6)
Lei de Murphy no. 537: Você não é destro nem canhoto
Estava eu no C.A. tentando a aprender a escrever (no último ano de jardim eu só tinha aprendido a escrever "Vivi", que era o nome de uma menina da turma, e colocava o nome dela em todos os trabalhos porque eu ainda não sabia escrever "Rafael", mas enfim), até que a professora, preocupada com meu desenvolvimento motor, chama a minha mãe na escola:
- Olha, o Rafael está com um problema... Ele colore os desenhos com as duas mãos.
- E isso é um problema por quê?
- Quando ele cansa de uma, continua com a outra. Mas ele precisa definir se quer ser destro ou canhoto.
Convencida e preocupada, mamãe me levou numa clínica de psicomotricidade para realizar uma bateria de testes que supostamente apontariam se eu era mais predisposto a ser destro ou canhoto. Isso tudo e eu tinha 6 anos. Inúmeras sessões e testes depois sai resultado:
- E então doutora. A escola quer saber em qual lado dedicar o apredizado do Rafael. O que dizem os testes?
- Olha, eles apontam, incrivelmente, que seu filho é ambidestro.
- Tá, isso eu sei. Mas qual o lado dominante?
- Ele é exatamente 50% destro e 50% canhoto. Nós estudamos todas as habilidades possíveis mas essa foi a única conclusão que chegamos.
Pra isso nao precisava ter ido na clinica, né? E com essa bosta de resultado na mão ela voltou na escola e chegou-se a um concenso que eu ia me desenvolver como quisesse - anarquia psicomotora infantil! E gracas a isso hoje eu sou completamente bizarro sob o ponto de vista motor: só consigo tirar fotos com o olho esquerdo, me barbeio com a mão esquerda, escrevo com as duas, aplaudo batendo a esquerda na direita, só consigo piscar com o olho direito mas levanto somente a sombrancelha esquerda, e por aí vai.
Talvez isso possa ajudar a explicar cientificamente a vida que eu levo... Quem sabe?
..:: por Rafael, às 11:44 AM .::.
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(porque se alguma coisa pode dar errado, ela vai!)
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