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Terça-feira, Maio 29, 2007
Lei de Murphy no. 578: Seu iPod é Jesus Cristo
Tudo começou com essa história de tomadas e voltagens. Ao chegar aqui, o único lugar que havia tomada bifásica era no banheiro, numa tomada exclusiva para barbeadores (o por quê dessa exclusividade toda, não me perguntem). E apesar do meu iPod não ser nenhum Mach 3, foi ali mesmo que eu resolvi carrega-lo. Afinal, eu não tinha tempo (e naquela época nem dinheiro) para comprar um adaptador. Passadas umas semanas ele começou a se comportar estranhamente: desligava sozinho, acusava que não tinha bateria, enfim, uma apurrinhação. Até que finalmente um dia ele morreu e não havia tomada nem adaptador que o fizesse carregar. Admiti o falecimento do mesmo, e junto com todas as minhas músicas de American Idol coloquei-o na gaveta.
3 silenciosos meses depois eis que estou eu a fuçar pela tal gaveta e resolvo num impulso desses sem explicação mexer no maldito. E não é que ele funciona? Ressucitado depois de 3 meses! Tá, Cristo voltou em 3 dias, mas vai ver que ele veio via Fedex, sei lá, o importante é que ele (o iPod) veio trazendo a salvação das minhas longas viagens de ônibus pela cidade. Mas não pensem que ele retornou assim uma Brastemp não. Pelo contrário, assumiu uma personalidade bem dificil. Dance music? Ele odeia, se desliga na hora. House? Tentei uma vez e levei dois dias tentando recarrega-lo. Agora Miles Davis e Nina Simone ele toca numa boa. Em modo shuffle, só dá hip hop e black music.
Como se já não bastasse isso, eis que outro dia, inexplicavelmente, eu "descubro" uma pasta nova cheia de reggae - Bob Marley, Nativus, etc, que eu juro que nunca coloquei ali (se bem que, a julgar pelo estilo musical pode ser que tenha sido eu sim e minha memória é que não tenha registrado... heheheh). Surreal. Um iPod que volta dos mortos com gosto musical próprio e temperamentall. Eu mereço!
..:: por Rafael, às 6:02 PM .::.
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Sexta-feira, Maio 25, 2007
Eu ia falar sobre meu iPod-Jesus, mas descobri que antes faz mais sentido contar sobre meu celular, que também está se revoltando contra mim.
Lei de Murphy no. 577:Seu celular tem esclerose
Até hoje não entendo como o mundo pode estar conectado através de uma única rede de informações (a internet) mas ainda sofremos com coisas tão primitivas como tomadas e voltagens. Já foi frustrante chegar na Espanha e descobrir que meu carregador de celular (bico quadrado) era incompatível com as tomadas de lá (redondas). Tive que comprar um adaptador (vide Lei de Murphy 466), e quando cheguei na Inglaterra tive que comprar outro, porque aqui tudo é trifásico! Toda vez que vou carregar o celular me sinto brincando de Lego, encaixando um adaptador no outro, depois no carregador e finalmente na tomada. Fica um trambolho de três andares e 20cm de comprimento.
Não deve ser à toa que o pobre aparelho está caducando. Tudo bem que ele já tem quase dois anos, mas mesmo assim seu comportamento é estranho. Toda vez que a bateria acaba, ao pluga-lo no carregador ele comeca a vibrar e não pára. Uma vez deixei para ver até quando o ataque histérico dele ia durar e ficou uns 15 minutos assim. E o pior é que não carrega! Para isso é necessario plugar, vibrar, desencaixar a bateria, invocar o espírito de Dina Sfat, fazer uma figa, encaixar tudo de volta e esperar pelo melhor. Aí, quando ele está de bom humor, ele carrega.
Achei que era um problema limitado ao nível elétrico, mas recentemente ele também resolveu ter esclerose. Torpedos? Ele entrega e manda quando dá na telha. Ontem recebi uma mensagem da minha amiga escocesa datada de uma semana atrás. Celulares que me fazem perder encontros e relógios que me atrasam nos poucos que fico sabendo. Mas assim é Murphy: fazendo da minha vida social um pesadelo pessoal!
..:: por Rafael, às 2:48 PM .::.
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Quinta-feira, Maio 24, 2007
Lei de Murphy no. 576:Seus eletroeletrônicos se revoltam contra você, parte 1
Ultimamente tudo que e equipamento eletroeletrônico têm quebrado na minha mão. A começar pelos meus relógios.
Eu tenho (aliás, tinha) 4 relógios de pulso que usava em ocasiões diferentes: um para "ir ali", um pro trabalho, um pra sair e um para datas especiais. Sim, eu sou sistemático, e daí? O problema é que um a um eles começaram a pifar e/ou quebrar. Primeiro foi o pra "ir ali" - um ironman e o único com alarme, cuja pulseira arrebentou de tal modo que nem relojoeiro conserta. Depois foi o de trabalho. Um rolex lindo que meu pai comprou pra mim lá no mercadão de Caxias. 5 Reais, mas olhando assim de longe você jura que é verdadeiro! Tudo bem que a pulseira oxidou do lado de dentro e que os reloginhos atrás do ponteiro das horas eram pintados, mas pra mim estava ótimo. Esse resolveu marcar o fuso horário de Kuala Lumpur ou sabe lá Deus de onde e depois de me fazer chegar atrasado várias vezes no trabalho resolvi colocar na gaveta. E como o preço de uma bateria nova é provavelmente tanto ele custou, não me incomodei de consertar.
O terceiro foi meu rolex digital da Nike. Autêntico, caro, e justamente por isso utilizado apenas para sair. Ele tinha uma tela de cristal líquido no fundo que mostrava os segundos. Caiu uma vez no chão e ela partiu-se todinha, deixando um desenho que mais lembrava um mapa da Pangea (o de Caxias caiu até em bueiro e nem por isso deixou de funcionar!).
Sobrou-me apenas o meu relógio de ocasioes especiais, um Puma que ganhei de presente que é tão bonito que não combina com nada que eu tenho. E que, graças a Murphy, e o único que eu posso usar hoje em dia para não perder a hora. Porque eu saio de casa até pelado, mas sem relógio, nunca!
A seguir: meu iPod-Jesus Cristo!
..:: por Rafael, às 2:58 PM .::.
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Segunda-feira, Maio 21, 2007
Lei de Murphy no. 575: Voce comprou seu diploma de enfermeiro
Outro dia fui visitar uma amiga e encontro ela com o dedo mindinho todo roxo e inchado:
- O que é isso? O que aconteceu?
- Ah, eu bati meu dedo jogando futebol americano.
- Mas não tá doendo?
- Tá. Há uns dois dias já.
- Esse dedo deve estar quebrado! Você tem que colocar uma tala! Vem aqui que eu te ajudo.
Eu com minha *grande* sapiência em primeiros socorros. Peguei uma caneta e uma durex e comecei a imobilizar o dedo dela, ao melhor estilo McGyver.
- Tá doendo?
- Hmmm... Naunnnnn...
- Pronto. E agora? Tá melhor?
- Tá... Sei lá.
- Tenta mexer.
E ela dobrou o dedo. Porque a anta aqui amarrou a caneta no lado de cima do dedo, sem imobilizar coisa nenhuma.
- Ih, eu me enganei de lado. Vou ter que trocar.
Dá-lhe arrancar a durex do dedo quebrado da menina e enrolar tudo de volta. Com minha habilidade fantástica:
- Dá pra você afastar os dedos?
- Nao consigo, tá doendo muito!
- Perai então.
E eu afastei sem lembrar que o motivo da tala era justamente o dedo estar quebrado. Terminada o serviço....
- E agora?
- Tá um pouco apertado...
- Muito?
- Bom, eu não tava sentindo nada no dedo, mas agora estou.
- O quê?
- Formigamento...
O dedo dela, que já estava roxo, ficou ainda mais porque eu amarrei tão forte a durex que cortei a circulação dela. Solução?
- Ok, vou ter que fazer de novo.
O pior é que ela deixou! Acabei amarrando uma lapiseira por trás também e ela ficou assim: imobilizada com uma caneta, uma lapiseira e durex. Afinal, se até salva-vidas eu já fui, primeiros socorros era o mínimo que eu devia saber, não? hahahahaha
..:: por Rafael, às 4:56 PM .::.
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Sexta-feira, Maio 18, 2007
Como já tem gente reclamando nos comentários (sim, eu leio e cada vez que o cometa Halley passa eu respondo alguns) que eu prometi contar sobre como quebrei um recorde mundial e até hoje não disse como, aqui vai:
Lei de Murphy no. 574: Você vai quebrar um recorde bizarro
Aqui em Londres acontecem umas coisas muito doidas, como flash mobs, guerra de travesseiro no metrô e manifestação contra o Harry Potter pelado. Como minha mãe diz "é falta do que fazer". Com tanta coisa ao mesmo tempo nem dá pra acompanhar todas direito. Essa que eu vou contar, por exemplo, quem me contou foi a Rapha, que nem em Londres está!
Era uma tentativa de quebrar um recorde mundial. Mas não qualquer recorde, nem tentado por qualquer pessoa. Era o elenco de Monty Python querendo quebrar o recorde internacional de batucada de cocos ocos. Bem bizarro. E, claro, falou bizarro falou comigo. Não podia perder essa oportunidade de pagar mico em público, então chamei uma amiga sino-americana e lá fomos nos entrar para o Guiness!
Realmente eu tenho que concordar que já fiz muitas coisas diferentes nessa vida: já fui perseguido por um grupo de pagode e por um hare-krishna, já vi um bife voador, uma drag queen colocar um ovo, já fiquei tão bêbado que acordei em outra cidade com um poodle lambendo meu pé, já participei de reality show e agora posso colocar mais essa no currículo: recordista mundial de batuque com cocos ocos (tá, eu divido esse título com centenas de pessoas, mas o que vale é a intenção).
Uma vida no mínimo interessante.
..:: por Rafael, às 3:41 PM .::.
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Quinta-feira, Maio 17, 2007
 Lei de Murphy no. 573
Preciso parar de fazer a barba no chuveiro sem espelho. Sempre fico parecendo recém saído da barbearia do Stevie Wonder....
..:: por Rafael, às 2:16 PM .::.
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Segunda-feira, Maio 14, 2007
Lei de Murphy no. 572: Sua vida parece um seriado de TV
Eu sempre disse que minha vida parece uma sitcom. E recentemente está parecendo um daqueles enlatados americanos passados num escritório, ao melhor estilo The Office.
Como eu já falei antes, estou trabalhando agora num lugar sério. Nada mais de criancinhas afogadas, sucos exóticos ou vinhos excêntricos. É um canal de notícias 24 horas e, supostamente, um ambiente de trabalho de respeito. Mas tem lá seus personagens peculiares como qualquer seriado:
Jenna, a gordinha perua über-feliz do marketing
Luigi, o faxineiro com retardo mental
Sarah, a grávida com humor bipolar e leve síndrome de Tourette
Gavin, que tinha o meu emprego antes de mim. Ex-modelo da Galliano e narcisista
O departamento de RH como um todo
Wiebke, a estagiária alemã com nome impronunciável e olhar de cólera
E - claro - eu.
E como todo seriado tem o cenários: a cozinha, onde eu sou obrigado a mandar aqueles papos tipo "Que tempo ruim hoje, né..?" com pessoas que eu mal conheço e onde também fica o Luigi; o departamento de marketing e finanças, onde as pessoas parecem sempre cochichar pelas minhas costas e onde ficam a Jenna e os estagiários; e a minha sala, onde tem a minha chefe e mais 4 mulheres que passam o dia conversando sobre coisas alheias à minha pessoa como abosrventes, roupas para grávidas e outras coisas femininas que fazem eu me sentir como um alienígena na terra.
É. Vai ser um ano divertido...
..:: por Rafael, às 10:50 AM .::.
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Sexta-feira, Maio 11, 2007
Lei de Murphy no. 571: Você vai ficar trancado do lado de fora do hotel
Hotel de pobre tem dessas coisas. E olha que era hotel mesmo, não era albergue não! A recepção fechava às onze, e depois desse horário todos os hóspedes tinham que entrar usando a cartão-chave pela porta dos fundos. E estou eu no sábado passeando pela cidade quando resolvo voltar para o quarto a tempo de me trocar e tentar ir conhecer a balada dinamarquesa. Às 22:45 eu chego no hotel e a porta da frente se encontrava trancada, com as luzes do saguão todas apagadas. Achei estranho, mas como era sábado e recepcionista de hotel também é filho de Deus, dei um desconto e fui para os fundos. Chegando lá, qual não foi a minha surpresa ao me deparar com esta porta também trancada?! O malandro saiu com tanta pressa de cair na gandaia que esqueceu de desativar a fechadura eletrônica. Lá pelas tantas apareceu um casal italiano que voltava pra casa e acabamos ficando os três de papo até altas horas quando uma boa alma resolveu sair e nos livrar da congelante noite a céu aberto. Mas eu não estava disposto a deixar isso me impedir de sair. Nã-não. Já antevendo a mesma cena se repetir de madrugada, eu espertamente entupi a fechadura com a folha de uma planta de modo que a porta ficou destrancada permanentemente. Será que finalmente driblei Murphy?
..:: por Rafael, às 6:25 PM .::.
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Quarta-feira, Maio 09, 2007
Lei de Murphy no. 570: Você é flagrado por conhecidos numa cidade onde não conhece ninguém
Eu tenho uma mania tosca de tirar fotos em estátuas fazendo poses bizarras (e não raramente pornográficas) interagindo com elas. Lá estava eu, no meu segundo dia de viagem, passeando por uma pracinha de Copenhagen quando me deparei com uma estátua qualquer na esquina. Imediatamente me coloquei em posição inadequada diante dela. Entre risos de quem estava comigo e olhares questionadores dos transeundes dinamarqueses, eu escuto uma buzina ao fundo. Claro que nem registrei na minha cabeça, afinal de contas eu não conhecia ninguém na Dinamarca. Porém...
- Que foi? Não vai tirar a foto?
- Rafael, acho que aquele carro tá buzinando pra você.
- Claro que não. Anda, tira a foto aí!
(interage com a estátua)
- O motorista do carro tá acenando pra cá...
Quando eu olho, ainda na pose vexatória, era o pai da minha amiga polonesa - e a mãe dela também! Olhando meio em choque, meio sem graça e meio querendo ir embora correndo. Isso depois de já te-lo deixado plantado me esperando 45 minutos na estação...
Nada como estar no lugar certo na hora certa, não?
..:: por Rafael, às 2:48 PM .::.
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Segunda-feira, Maio 07, 2007
Lei de Murphy no. 568: Você vai ganhar uma carona surpresa
Finalmente, depois de todo um trauma para fazer uma mísera ligação consegui ligar pra tal amiga. Pedi para ela me encontrar dentro do McDonald's - ao contrário do estacionamento de bicicletas, este só havia um na estação e não tinha como errar. Aliás, os McDonald's da Escandinávia merecem uma Lei de Murphy à parte. Não minha, que eu não tenho nada com isso, mas das pessoas que lá trabalham.
Lei de Murphy no. 569: Em terra de bonito, quem é lindo é... atendente de McDonald's...
Tudo bem que era um país nórdico, onde ter cabelo preto e que e excessão, mas também não precisa ser do jeito que é. Ao entrar na lanchonete resolvi contemplar o cardápio (parte de uma estranha curiosidade que eu tenho em saber quais são as diferenças nos McMenus pelo mundo. Afinal, se no Brasil existe sundae de goiaba e suco de maracujá, o que impede a Espanha de ter uma McPaella ou o Japão um McSushi?) e acabei me distraindo contemplando os funcionários. Onde mais no mundo eu poderia encontrar uma mulher debruçada no forno de batatas fritas com a cara da Ana Hickmann? Quase que eu falei "minha filha, larga esse óleo, vai pro Brasil ganhar vida como mulher de jogador de futebol ou Big Brother, vai!". Enfim, deve ser uma merda nascer bonito na terra de modelos.
Mas voltando ao assunto, estava perdido em meus pensamentos quando minha amiga me encontra. Eu já estava a ponto de dar um fora nela, por ter feito me passar por todo esse trabalho, até que ela solta:
- Vamos que meu pai está esperando você há 45 minutos no carro.
E a minha cara de vergonha? E ela nem pra me avisar que tava com o pai ali. Cretina. Coloquei a cara mais lavada no mundo e entrei no carro como se fosse normal fazer os outros esperarem assim. Tem certas horas que não tem como, a gente tem que ser sem noção mesmo... E eu achei que essa fosse ser a primeira e última vez que ia ter uma saia justa com o pai dela... Ledo engano, Leda Nagle. Sua viagem estava apenas começando....
..:: por Rafael, às 3:06 PM .::.
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Sexta-feira, Maio 04, 2007
Lei de Murphy no. 567: Você não se dá bem com tele-atendentes nem na Europa
O tempo passava e eu continuava perdido. E sem poder sair da estação de trem na esperança de ainda encontrar minha amiga polonesa. Tive então a brilhante idéia de recarregar meu celular via... celular! Liguei para a operadora (que era uma chamada grátis) e fui atendido por uma alemã (acho que vou mudar o nome desse blog para Leis de Babel, tamanha a confusão de nacionalidades!) com um inglês muito xucro. Abaixo segue uma tradução adaptada do que foi a recarga:
- Olá. Eu quero colocar £ 10 no meu celular.
- Ya. Eu terrr que registrrrarrr suas dados parrra poderrr efetuarrr a pagamento via carrrtón.
- Sim. Cartão de débito , por favor.
- Seu nome?
- Rafael.
- Você pode soletrrrrarrr?
- Ai meu pai... R-A-F-A-E-L.
- Sim. Raphael.
- Não querida. Com F. Não com PH.
- Ah sim. Seu CEP, porrr favorrr?
- SE11 4TB.
- Pode soletrar?
- Mas tá soletrado!
- Você pode repetirrrr entón?
- Ok... SE....
- FE como em Florrrresta Elefannnte?
- Não, ESSE-É como em Sudo-Este! [sua anta!]
- Pois non. ÉSSE-É-UM-UM...
- 4TB.
- 4 PD?
- TÊ-BÊ.
- Ah sim. G de golf?
- Ai.. É TÊ! De... sei lá, Travesti!
(contida) - Sim, 4TD. Telefone, Dinamarca.
- NÃO!!! É TÊ, de Telefone! E B, de boat!
- Goat? É um G entón?
- Não goat! Boat! Borat! Ballet! Quatro-Travesti-Ballet!!!
No meio do barulho da estação eu nem percebi que já estava aos berros com a atendente germânica, atraindo atenção dos Dinamarqueses passantes que me olhavam gritando o que parecia ser, no mínimo, um bingo de puteiro! Quatro! Travesti! Ballet!
Mas também quem é que teve a idéia de gerico de contratar uma pessoa com inglês ruim para um serviço... em inglês!? Vou te contar. Que saudade da Telemar!
..:: por Rafael, às 4:16 PM .::.
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Quinta-feira, Maio 03, 2007
Lei de Murphy no. 566: Você vai ficar pobre na pior hora
Após chegar na estação completamente perdido, saí perambulando Copenhagen afora procurando algum mapa que me indicasse o caminho - afinal quem tem boca vai à Roma, ou no meu caso, ao hotel. Primeiro obstáculo: todas as ruas da cidade têm um nome gigantesco e impronunciável, como Isafjordgade. Depois de uns 10 minutos vasculhando o mapa sem nenhum resultado resolvi ligar para uma amiga minha que estava em Copanhagen de férias com seus pais. Quem sabe ela poderia me ajudar? Mas meu celular pai-de-santo (só recebe) não tinha crédito para fazer uma ligação internacional, apenas para mandar torpedo. Ela respondeu que me encontraria na estação e me levaria ate o hotel. Perfeito. Logo...
"Estou na estação. Onde você está?"
Usei meus últimos centavos para mandar uma mensagem clara e objetiva:
"Junto ao estacionamento de bicicletas"
Pra não ter erro. Logo em seguida recebo uma mensagem da operadora dizendo
"devido a saldo insuficiente, você não pode mais enviar mensagens"
Pobre é foda... Fiquei sem saber se ela tinha recebido a mensagem ou não. Resolvi entao ficar plantado ali, mas depois de 15 minutos e nada dela aparecer, fui dar uma volta. E foi aí que descobri que a estação inteira era rodeada de estacionamentos de bicicletas. Centenas delas! Voltei para onde estava e fui até um orelhão. Liguei para o celular dinamarquês dela. Desligado. Para o celular inglês dela. Tambem desligado. Tentei o polonês e sim, também estava desligado. Maldita. Me fez gastar 20 coroas dinamarquesas apenas para ouvir em três línguas a mesma gravação... Tudo isso e eu não estava no país nem há uma hora ainda...
..:: por Rafael, às 1:53 PM .::.
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Quarta-feira, Maio 02, 2007
Lei de Murphy no. 565: Você vai se perder de propósito
Depois de meses de pura ralação, resolvi me dar de presente umas férias e ir para a Dinamarca saber o que que a Escandinávia tem. Organizado como eu só, fiz todo um roteiro de coisas para ver e fazer, assim como um mapa de como chegar ao hotel desde o aeroporto. Era simples: tomava um ônibus e depois caminhava umas duas quadras desde o ponto até o dito cujo. Porém ao chegar no aeroporto, não sei por que cargas d'água resolvi pegar o trem ao invés do ônibus. Aliás, dizendo a verdade, eu até sei porque: ir de trem era mais barato e o mão-de-vaca em mim falou mais falto. E somente após embarcar no vagão e estar distraidamente vendo as pradarias dinamarquesas passarem pela janela ao longe dos trilhos é que eu me dei conta: eu não tinha a mais vaga noção de como chegar no hotel desde a estação de trem - e tampouco falava um pingo de Dinamarquês para pedir informação. E foi assim que eu cheguei em Copenhagen, na cara, na coragem e já respirando fundo ao senitr que Murphy tinha vindo na mala...
Olhando pelo lado bom, eu estava perdido, sim, mas perdido no meio de um monte de gente loira e alta. Era como estar perdido num catálogo da Ford Models...
..:: por Rafael, às 2:28 PM .::.
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(porque se alguma coisa pode dar errado, ela vai!)
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