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Sexta-feira, Junho 29, 2007
Lei de Murphy no. 586: Suas cuecas não são massa de bolo
Após um longo sábado de compras pela cidade e rever uma amiga que não via há 7 anos (que escolheu justamente meu último dia em Londres para resolver aparecer por lá), finalmente cheguei em casa e olhei para a mala, o monte de roupa fora dela e as trocentas mil bolsas de presentes, tentando pensar como driblar a Lei da Física e fazer tudo aquilo caber numa única bagagem - e melhor, pesar apenas 20kg. E no meio da arquitetura da mala, colocando tudo cuidadosamente envolvido para que nada quebrasse, me dou conta que não me sobrara uma única cueca limpa. Com o corre-corre da semana, acabei não lavando roupa e eu não estava afim de chegar em São Paulo ao estilo comando. Levar uma mala cheia de cueca suja também não era a melhor idéia, e se eu as guardasse molhadas ia ter uma bela surpresa fedida quando chegasse. A solução?
Vamos colocar as cuecas no forno!
Liguei-o em 200oC, coloquei um monte de cuecas lavadas e molhadas num tabuleiro e deixei lá dentro enquanto fui fazer a mala. Lá pelas tantas, distraído, sinto um cheiro de algodão queimado. Fui correndo para a cozinha apenas para tirar o tabuleiro e encontrar as cuecas chamuscadas por baixo e ainda molhadas em cima... Inferno. Vendo o tempo passar e ainda descuecado, resolvi baixar a temperatura e passar o resto da noite vigiando o forno. Acabei não dormindo e fui - com 24h acordado - direto pro aeroporto. Achei que isso ia me fazer dormir mais facilmente (o que eu vim descobrir a ser um Ledo Engano, Leda Nagle). Pelo menos as cuecas ficaram secas - e uma delas com um buraco para a ventilação do períneo.
..:: por Rafael, às 3:31 PM .::.
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Quantas Leis de Murphy cabem num vôo Londres-São Paulo?
Se você for que nem eu, muitas. Mas muitas mesmo.
Desde assar suas cuecas no forno até sua chefe ir parar no México, todos os possíveis (e impossíveis) clichês de viagem aconteceram comigo....
Mas antes, deixa eu matar as saudades da minha família, que eu não vejo há mais de um ano, e do meu gatorro demoníaco. Afinal até Murphy merece férias, é ou não é ou não é?
..:: por Rafael, às 3:03 PM .::.
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Segunda-feira, Junho 25, 2007
Lei de Murphy no. 585: Você entra numa loja-boate
Ainda na maratona de compras, lá fui eu para a recém-inaugurada loja da Abercrombie & Fitch em Londres para tentar comprar uma mísera camiseta para meu melhor amigo. Quando essa loja abriu foi o maior tititi na imprensa por terem contratado modelos de verdade para serem vendedores e transformado-a praticamente num lounge. Isso, claro, não deu muito certo - especialmente quando eu cheguei lá.
Primeiro que ao entrar me deparei com 4 modelos na porta, do lado de fora. O que eles faziam? Eram bonitos. Sua função era justamente essa: ser bonito na porta da loja. Acho digno. Entrei. A loja toda [nao era] iluminada por uma meia-luz e ambientada com um house ensurdecedor, mais parecendo uma discoteca underground. As roupas eram as mais caras que vi na minha vida, mas até que achei umas camisetas básicas por um preço que preferi não converter em reais para não sair correndo em pânico cambial. Na dúvida dos tamanhos - por que diabos quanto mais cara a loja mais difícil é achar o preço e o tamanho das coisas? Será que é porque eles querem que a gente se humilhe pra admitir "sim, eu compro pelo preco e não pela roupa em si"? - resolvi abordar um dos vendedores, um cara que mais parecia saido da capa da Vogue.
- Oi. Qual o tamanho dessa camiseta?
- Tamanho?
- Sim... pequeno, médio, grande...?
- Ah. (sorri idiotamente). É fit
- Fit?! Que tamanho eh isso?
(modelo sorri idiotamente de novo) - Fit... Acho que cabe em todos.
- Ta bom, brigado.
Sim, modelos sao burros. Nao quero estereotipar ninguem, mas depois de ver no balcao ao lado uma modelo/atendente quase chorar ao tentar decifrar o dificil enigma de como dobrar uma saia, cheguei a esta conclusao irredundante. Acabei por descobrir sozinho que os tamanhos eram P, M e G. Na duvida, resolvi ligar para o tal amigo e perguntar qual era o seu tamanho.
- Alo? Oi fulano.
- Rafael? Onde voce esta?
- Numa loja.
- Loja? E essa musica toda?
- É da loja!
- Voce ta numa boate, né? Dessas que vao ate tarde, 24 horas, ai em Londres!
- Nao! Eu to numa loja!
- Rafael, voce ta viajando. Deve estar bebado ou drogado. Vai aproveitar a festa! Tchau!
E desligou. O modelo/atendente continuava sorrindo como se tivesse passado por uma lobotomia (o que talvez fosse verdade), enquanto sua colega agora tinha chamado outra modelo/atendente para ajuda-la a dobrar a saia.
(*suspiro*)
Adoro compras.
..:: por Rafael, às 12:40 PM .::.
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Sábado, Junho 23, 2007
Quem quiser que eu entre em contato, favor deixar email..... minha bola de cristal Prevision Maker Tabajara ainda nao voltou do conserto.
..:: por Rafael, às 8:31 PM .::.
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Lei de Murphy no. 584: Vendedores não acreditam em você
Foi só eu contar que estava indo passar férias em casa que chegou uma enxurrada de encomendas no meu email. Livros, cremes, camisa da seleção inglesa, remédio pra emagrecer, chá, brinquedos... a lista é longa e eu, boa alma caridosa, resolvi me submeter ao risco de ser parado na alfândega como muambeiro internacional. E claro que nessa maratona de compras alguma coisa tinha que dar errado. Minha mãe inventou que queria um tal rímel da Lancôme "01 verde, 03 azul ou 05 preto" e lá fui eu na loja de maquiagem de manhã antes do trabalho comprar. Mas como quem dá a mão acaba perdendo o braço, no dia seguinte lá vinha ela: "tem como comprar outro? Eu queria dois. E não esquece de pedir amostras grátis!". Claro, mamãe...
Porém, se na primeira vez a mocinha atendente foi super simpática e se sensibilizou com minha atitude de comprar maquiagem pra mamãe, na segunda visita à loja a história não foi bem assim. Lá estava ela, não a moça simpática, mas sim uma bichinha gordinha dessas que usa maquiagem (sem ofensa, quero apenas passar a idéia).
- Oi, eu quero um rímel da Lancôme.
- Claro que quer, meu bem.
- Azul, por favor.
- Preto fica melhor.
- Hein?
- Em você. Seus olhos castanhos... Rímel preto vai ficar melhor.
- Não, não é pra mim.
- Tá bom.
- Não é mesmo! É pra minha mãe!
(vira pra outra bicha do balcão) - Fulano, ele tá comprando rímel "pra mãe".
(bicha do balcão) - Ah querido, eu também comecei assim. Mas depois a gente abstrai.
- Mas é pra minha mãe! Olha, eu nem sei o que é um rímel !
Foi inútil. A bicha estava convencida que eu era a próxima Nany People. Rímel pago, eu ainda lembro de pedir os tais brindes...
- Será que você não pode me dar umas amostras grátis?
- Pra quê? Pra sua mãe também? Tá boua, né?
Adoro compras.
..:: por Rafael, às 8:27 PM .::.
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Quinta-feira, Junho 21, 2007
Lei de Murphy no. 583: Você é convidado para um casamento
Como eu já disse antes, aqui no escritório tem uma série de figuras bem peculiares, como o Luigi, o faxineiro retardado - parte da política da empresa de empregar "sem distinções". Apesar do bom coração, ele é, digamos, socialmente desajustado, por, entre outras coisas, não saber a diferença entre gritar e falar. Entro eu na cozinha para pegar uma água:
- OLÁ CHEFE
- Oi Luigi. Tudo bem com você?
- TUDO BEM, CHEFE. VOCÊ QUER IR NO MEU CASAMENTO?
(Rafael engasga)
- Aham, casamento?!
- SIM. EU VOU CASAR. CONVIDEI TODO MUNDO.
- Não sei Luigi, acho que estou ocupado
- EU NÃO DISSE QUANDO ERA AINDA
(até que prum retardado ele é bem espertinho)
- Ok, claro, eu posso ir....
- ÓTIMO, CHEFE. EU VOU CASAR.
- Sim, você falou... Até logo.
E saí, meio sem graça. Quando voltei pra minha mesa fiquei pensando: o que é pior? O fato de eu tê-lo visto duas vezes na vida e ele me convidar pro casamento ou o fato de ele estar casando e a possibilidade dele se reproduzir?
Pensei também no fato do Luigi, demente e fedorento, estar casando e o relacionamento mais longo que eu tenho ser com o pacote de espinafre que habita a minha geladeira há 6 semanas e que eu me recuso a jogar fora por preguiça.
(se bem que, entre espinafre vencido e qualquer mulher que se candadite a casar com o Luigi, acho que fico com o espinafre mesmo...)
..:: por Rafael, às 7:36 PM .::.
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Segunda-feira, Junho 18, 2007
Lei de Murphy no. 582: Certas coisas não mudam nunca
Então. Eu vou voltar pro Brasil. Mas aos afoitos de plantão, calma, porque será apenas por duas semanas - uma a trabalho em São Paulo e uma de férias no Tiro de Janeiro. E claro que eu já estou arquitetando com minha sábia mãe todos os detalhes para que eu possa me comunicar com meus amigos:
- Mãe, você pode comprar um chip de cartão pra mim?
- Por que você não compra um quando chegar em São Paulo?
- Porque se eu comprar em São Paulo, adivinha de onde vai ser o DDD do chip? a) Rio b) São Paulo c) Catanduva. Vale um rímel da Lancôme.
- Ah, pára de implicância.
- Eu também vou precisar de um aparelho porque vou ter que deixar o meu ligado com o chip inglês.
- Tem um celular velho aqui em casa...
- Não é o meu primeiro celular, é?
- Acho que sim. Ninguém usa ele.
- Claro que ninguém usa. Ele só funciona na tomada. Qual a lógica de um celular que só funciona com fio?
Ah, saudades.
..:: por Rafael, às 4:45 PM .::.
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Quinta-feira, Junho 14, 2007
Lei de Murphy no. 581:Você não usa meia preta
Eu nunca gostei de meia escura. Toda a minha vida sempre usei meia branca, salvo em ocasiões raras e especiais onde usar uma meia preta é inevitável - um casamento, por exemplo. Porém aqui todo mundo tem mania de usar terno e sapato, e como quem está na chuva é para se molhar eu tive que entrar na roda. Só esqueci do pequeno detalhe da meia... E tem sempre um gaiato pronto pra me esculhambar, não tem?
- Rafael, eu notei que você está usando meias brancas com seu sapato...
- Sim, e daí?
- Você não tem meias pretas?
- Eu não uso meias pretas.
- Você devia aprender a fazer o moonwalking então. Porque tá parecendo o Michael Jackson.
E desde então toda vez que eu passo alguém assovia Thriller.
A vida realmente é feliz.
Enquanto isso, na sala de justiça...
Tem post novo de minha autoria lá no Fantástico Mundo dos Nomes!
..:: por Rafael, às 9:25 AM .::.
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Segunda-feira, Junho 11, 2007
Ah! Nada como enxergar novamente....
Lei de Murphy no. 580: Você não fala alemão
... e aí que aqui no trabalho uma das produtoras estava trabalhando num evento que seria gravado em Berlim e tinha que ligar para umas 80 pessoas para confirmar presença. É claro que ela tocou o trabalho para alguem mais abaixo na hierarquia - eu. O que não entendi direito foi o por que de havendo dois estagiários alemães no escritório eu é que tive que fazer essas ligações. Mas tudo bem, a gente se vira como pode. Aprendi a dizer "Bom dia. Posso falar com alguem que fale inglês?" e comecei. Nenhuma dificuldade, certo? Lá pela 27a ligação tudo corria bem. Alguém atendia, eu soltava a frase e pronto! Inglês daí pra pra frente! Mas tem sempre um pulha pra estragar seu dia né?
- Good Morning. Do you speak english?
- No.
- No? (ih meu pai... e agora? Vou fazer a linha idiota mesmo) Alguem daí fala inglês?
- No.
(vamos lá Rafael, apela pro alemão que você não sabe!) - Ich... nein... sprechen... Deutsch!
(pessoa respira fundo do outro lado) - O que você quer?
- Han? Você fala inglês então?
- Não, não falo.
- Ué, mas tá falando agora!
Não sei se a última frase soou meio abusada ou se o simpático do outro lado é que se tocou da que sim, ele falava inglês e estava apenas de má vontade, mas eu levei foi na cara. E isso eram apenas 9:45 da manhã. Ia ser um bom dia...
..:: por Rafael, às 4:58 PM .::.
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Quarta-feira, Junho 06, 2007
 Leis de Murphy apresenta: Diário de um Ciclope
Terça feira, 29 Maio
No fim de um dia longo no trabalho, meu olho se irrita e eu resolvo tirar as lentes que eu já uso há 3 meses (apesar de elas durarem apenas 1, mas enquanto não tá incomodando eu vou usando). Deve ser só mais uma irritação básica, é só dormir que passa.
Quarta feira, 30 Maio
Acordo e o olho continua irritado. Ok, vou de óculos hoje. E pingar a solução da lente no olho durante o dia. Deve ser so uma proteinização da lente. Já aconteceu uma vez. Amanhã tá novinho em folha.
Quinta feira, 31 Maio
O olho tá mais vermelho e dolorido que nunca. E agora também fotosensível. Vou na farmácia, onde uma panamenha me atende:
- Deve ser conjuntivite.
- Mas eu não tenho secreção!
- Ah, então é uma conjuntivite limpinha!
Eu devia ter desconfiado. Levei o colírio mesmo assim. Na bula: "melhoras visíveis [sic] em 48 horas".
Sexta feira, 1 Junho
Não só não vi melhora nenhuma como agora estou vendo tudo embaçado. Ao chegar no escritório as meninas falam que eu tenho que ir no médico. Eu vou no oculista do outro lado da rua.
- Hm..
- Que foi, doutor? É grave?
- Você tem que ir para o hospital imediatamente.
- O quê? Como assim? Eu vou ficar cego?
- Por enquanto não.
Achei que médicos fossem treinados para serem otimistas e não pessimistas. Saio do trabalho e enfrento as tais 4 horas de fila na "emergência" do hospital. Saio de lá com um monte de remédio após uma consulta de 10 minutos.
Sábado, 2 Junho
Meu penúltimo dia trabalhando como sommelier no museu de vinho, cumprindo aviso prévio. Vontade de estar lá? Nenhuma.
- Rafael, você não pode trabalhar de óculos escuros.
- Mas eu estou com conjuntivite, ó!
- Mesmo assim.
- Mas eu estou morreeeeendo de dor!!! Acho que vou ficar cego! Esta luz está fazendo meu olho arder! Oh céus! O que farei? Ficarei cego!!
- Ok, você pode ir pra casa...
Depois desse *pequeno* drama? E não é que melhorei assim que sai de lá? Que coincidência!
Domingo, 3 Junho
Após voltar à emergência do hospital, finalmente descubro o que eu tenho. Aparentemente eu usei a lente por tempo demais e ela acabou cortando o oxigênio do meu olho, fazendo com que a camada superficial da córnea "morresse", o que estava causando toda a irritação. Durante a noite de sábado para domingo essa pele resolveu se desgarrar e como os olhos naturalmente ficam mais secos à noite quando abri o olho de manhã a pálpebra puxou e arrancou essa pele da córnea, fazendo-me passar uma dor que eu só posso comparar com parir um dromedário pela órbita ocular. Ganhei um tapa-olho e tive que ficar de repouso sem sequer mexer os olhos (o que não é nada fácil ) por 24 horas.
Terça feira, 5 Junho
Volto ao trabalho com um tapa-olho, ao melhor estilo Catarina Creel em "Ambição", aquela novela mexicana tosca do SBT.
Piadas sobre piratas? Imagina, ninguém fez... Yarrrrrr!
..:: por Rafael, às 4:16 PM .::.
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Sexta-feira, Junho 01, 2007
Lei de Murphy no. 579: Voce descobre o lado brasileiro de Londres
De vez em quando a saudade bate, mas da pra matar por aqui mesmo.
Hoje, por exemplo, matei as saudades do SUS ao ficar 4 horas mofando na emergencia do hospital por conta de uma lesao no olho. Foi praticamente um flashback de qualquer hospital publico do Brasil: gente jogada, aquela tia gorda suada reclamando da demora, uma hipocundriaca gritando no corredor....
E como estou atualmente no modo ciclope, melhor nao forcar o unico olho bom que me resta e ir pra casa - afinal eh sexta feira e tem jogo do Brasil na TV!
..:: por Rafael, às 3:11 PM .::.
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(porque se alguma coisa pode dar errado, ela vai!)
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