DEPOIS DE UMA BREVE VOLTA PRA CASA, OUTRA VEZ EM LONDRES!

Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008


Lei de Murphy no. 672 O suicídio alheio leva sua mãe às compras

Sem querer entrar em bairrismos ou reginonalismos, eu muito aprecio cidadãos de Copacabana. Só quem conhece sabe os vastos limites que estas pessoas podem alcançar. Um bom exemplo é minha mãe. Dia desses, ao telefone, ela me conta exasperada um fato chocante:

- Ai, Rafael, outro dia eu fui sair de casa com seu avô, mas quando cheguei na portaria o porteiro não me deixou sair.
- Por quê? Era assalto?
- Não. Ele estava branco como papel e muito nervoso.
- Como assim? O que aconteceu?
- Ai… O vizinho do 601 tinha acabado de pular pela janela, estava espatifado na rua.
- E por isso ele não deixou você sair?
- É. Tive que sair pela porta dos fundos. Fiquei muito aflita.
- E aí?
- Aí que eu tava muito nervosa, fui no hortifruti comprar uns chuchus.

Ah, se todo mundo resolvesse seus estresses com vegetais como mamãe…

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Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008


Lei de Murphy no. 671: Tudo que vai...

O tal amigo concordou afinal em ficar com a agenda e trocá-la por algo mais útil, e eu ainda consegui fazer parecer que era ele quem tinha que manter segredo sobre isso como se eu que lhe estivesse fazendo um favor em passar adiante o meu presente. Eu sou um gênio, vamos combinar. Se apenas eu utilizasse meu intelecto para fins produtivos, estaria rico, com certeza... Tudo parecia ter um final feliz, mas não contavam com a astúcia de Murphy! Dois dias depois da minha partida, chega um terceiro amigo na casa dele. Ao ver a maldita agenda, ele junta 2 com 2 e percebe que eu só poderia haver esquecido-a na pressa de ir embora! Uma gafe remediável, como vocês verão pelo telefonema a seguir:

- Rafael, menino! Você esqueceu seu presente aqui!
- Presente??! (já achando que era outra coisa)
- Sim! Sua agenda!
- Ah.. Esse presente.
- Eu achei no quarto do Henrique, ele disse que você esqueceu pra trás.
- Pois é, esqueci mesmo. Mas eu não vou voltar tão cedo, acho que é melhor vocês usarem.
- Não por isso. O Henrique vai aí mês que vem! Pode deixar que eu vou colocar na mala dele pessoalmente!

Muito obrigado. Resultado? A dita cuja tá lá em casa, servindo de calço pra televisão. E meu amigo ficou sem presente mesmo, porque depois disso eu ainda disse que ele era incompetente e por isso não ia ganhar nada. Humpf.

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Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008


Lei de Murphy no. 670: Intimidade é uma merda

Assim que saímos do café, um outro amigo vira pra mim e pergunta:

- Você odiou a agenda, né?
- Eeeeuu?? Imagina. Por quê? Deu pra notar?

É uma merda quando seus amigos te conhecem de verdade, né? Mas assim sendo, me aproveitei do fato dela ter vido com recibo para troca e resolvi matar dois coelhos com uma só paulada.

- Bom, realmente, não foi meu presente favorito. Mas deixa pra lá. Olha, queria te agradecer por você ter me deixado ficar na tua casa esses dias.
- Que isso, Rafael, imagina.
- E como não deu tempo pra te comprar nada, então eu pensei... Sabe, essa agenda tá em espanhol... Você mora na Espanha... Então porque você não leva ela e troca por alguma coisa pra você?

Não, eu realmente não presto. E sim, eu tenho essa cara-de-pau. Mas olha, não é a intenção que vale? Se no final das contas todos estávamos super bem intencionados, que mal há? Assim todo mundo sai satisfeito. Ou não?

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Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008


Lei de Murphy no. 669: Cavalo dado não se olha os dentes

Sempre acreditei naquele ditado que diz "se for pra fazer mal-feito, é melhor nem fazer".

Finalmente chego em Madrid para comemorar meu aniversário, agora já com mala, que depois de 10 dias resolveu aparecer! Nunca me liguei muito em ganhar presente de aniversário, mas acho que não há nada pior que ganhar algo do tipo "é só uma lembrancinha" - a única coisa que eu acabo lembrando é a merda que eu ganhei e como jamais consegui me livrar daquilo. Outra que me irrita são os presentes metafóricos - a intenção pode ser maravilhosa, mas jamais descobri que uso posso fazer do Cristo Redentor. Enfim. Reuni meus amigos num café e chega um deles com seu par.

- Parabéns!! Feliz aniversário!!
- Obrigado!
- Olha, comprei uma lembrancinha pra você. Toma.

Abro o pacote. Uma agenda. Uma. Agenda.. Sem querer parecer mal agredecido, mas quem diabos dá uma agenda de aniversário para alguém? A não ser que você esteja, sei lá, na 6a série. E não era nem uma agenda de escritórios, que ainda daria pra usar. Era uma agenda de algum personagem de desenho espanhol.

- Ahn. Uma agenda.
- Gostou?
- Puxa, adorei. Não sei como agradecer [literalmente].
- É de nós dois.

'De nós dois'? O quê? Quer dizer que não bastava uma porcaria, tem que ser meia porcaria de cada um? Sinceramente, gente. Não é melhor ser logo sincero e dizer "olha, não comprei nada mesmo, então ao invés de te dar qualquer coisa, resolvi não te dar nada?". E que diabos eu vou fazer com uma agenda de desenho animado em espanhol???

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Terça-feira, Fevereiro 19, 2008


Lei de Murphy no. 668: Você passa seu reveillon acompanhado de Murphy, em grande estilo

Quando meus amigos chegaram de Madrid para me encontrar, eu já estava recuperado do meu aleijamento temporário. Tudo parecia ir bem e eu afinal consegui aproveitar um pouco mais minhas férias, mesmo que ainda sem mala. Era o último dia do ano e nos resolvemos fazer uma pequena ceia na casa de uma amiga deles, uma alemã simpática que conduzia seu carro tão bem quanto eu conduzia a finada Suzi. Nessa de comes e bebes acabamos perdendo um pouco a noção da hora, e às 23:30 resolvemos nos mexer para ver os fogos na beira da água. Detalhe que estávamos um pouco longe de lá, portanto tivemos a brilhante idéia de pegar o metrô. Eram apenas duas paradas, concluímos que 15 minutos seria tempo de sobra para entrar, sair e aproveitar a entrada de 2008.

Ledo engano, Leda Nagle.

O metrô, claro, rodava com atraso (afinal condutor de trem também é filho de Deus, e a não ser que ele seja Chinês, também tem direito de comemorar 2008) e junto conosco outras dezenas de pessoas tiveram a mesma idéia brilhante de pegar o trem. Resumindo: quando o relógio bateu meia-noite, eu vi 2008 chegar dentro de um vagão lotado de metrô. Sim. Não poderia haver melhor forma de me despedir de um ano como 2007 e saber que em 2008 eu seguirei acompanhado de Murphy.

E vocês? Já passaram algum reveillon em lugar ou situação bizarra?

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Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008


Lei de Murphy no. 667: Um português nega sua existência como pessoa no plano físico

Acabou que meu irmão voltou para casa no meio da viagem e eu finalmente cheguei em Lisboa, sozinho. Ainda faltavam 2 dias para meus amigos de Madrid chegarem, e nesse meio tempo resolvi explorar a cidade a pé mesmo. Acostumado com o hábito dos ingleses de sair para balada às 7 da noite, lá fui eu ao pôr-do-Sol bater perna. 4 horas depois, sem encontrar viv’alma em qualquer buteco e com os mocotó tudo dueno, voltei para o hotel, frustrado.

No dia seguinte decidi conhecer Sintra, uma cidade do patrimônio histórico mundial que fica perto de Lisboa (foto). Lá existem belíssimos castelos e ruínas no topo de uma montanha de uns 500m de altitude. Ainda no espírito do turismo econômico, achei que valeria mais a pena fazer o percurso a pé do que pagar 1,30 euro pelo ônibus. 2 horas depois, morto, já pouco me lixando pra qualquer castelo, cheguei ao topo. Meus pés doíam absurdos. Vi o que tinha que ver e resolvi pegar o ônibus pra descer.

- Bilh’te, por f’vor.
- Onde eu compro?
- Lá m’baixo.
- Não, eu só quero descer, meu senhor.
- Ah, mas não podes. Só podes descer se tens um b’lhete de subida, ó pá.

Sim. Eu também não acreditei. Basicamente o Portuga me disse que eu só podia descer se tivesse subido. E mesmo apesar de estar ali, se eu não tivesse um bilhete de subida não poderia, portanto, ter subido, e consequentemente também não poderia descer, uma vez que eu jamais teria subido. E lá fui eu, outras 2 horas de trilha de volta, já completamente aleijado e manco, a voltar para um hotel já sem irmão e ainda sem mala – e agora também sem poder andar quase. Dá pra ficar melhor que isso?

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Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008


Lei de Murphy no. 666: Sua avareza causa a doença alheia

No meio da viagem meu irmão começou a piorar do resfriado e ficar cheio de catarro e febre. A coisa ficou tão grave que o pobre não conseguia nem mais comer, e passava o tempo todo tossindo e pigarreando. Some a isso ele ter um ritmo de um dromedário e o ânimo de uma planta de babosa, e a única descrição que posso dar é que me sentia numa excursão com meu irmão de 80 anos.

Tanta era minha ânsia de conhecer o máximo de coisas em menos tempo e dinheiro possível (chamo isso de ‘turismo econômico’, mas há alguns menos espirituosos que caluniariam isso como ‘mão de vaca’), que quando chegamos em Oporto não me sosseguei dentro do hotel mesmo com o mundo desabando num dilúvio. Arrastei o pobre nesse estado pela chuva afora, dizendo que já ia passar. Bom, em qualquer verão isso não teria sido grande problema. Agora em um inverno europeu…

Dois dias depois estava eu sentado num saguão de hospital, a esperar nada menos que cinco horas pelo brilhante diagnóstico:
- É pneumonia?
- Não, o médico disse que é uma gripe.
- Eu perdi um dia inteiro de viagem e matei qualquer saudade que pudesse ter de uma fila do SUS pra você me voltar apenas com uma gripe?!?

É. Tem horas que eu acho que eu perco a referência, né?

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Segunda-feira, Fevereiro 11, 2008


Lei de Murphy no. 665: Você vai redefinir os limites da Europa Oriental

Ao encontrar meu irmão, acabei convenco-o a voltar comigo para o tal parque, onde graças a uma máquina digital hoje existe um vídeo que jamais será postado em qualquer youtube da vida devido a sua capacidade destrutiva ante à minha reputação (se é que ela ainda existe). Mas segue uma breve transcrição do tal vídeo:

- Então. Eu tava aqui tentando montar esse mapa até a pentelha me atrapalhar.
- Ahn.
- Só que eu tinha tomado umas e outras e tava tendo certas dificuldades em encaixar alguns países.
- Por exemplo?
- Por exemplo a Polônia. Sabe, eu acho que ela devia ficar no lugar do Reino Unido. Já tem tanto polonês lá, é mais fácil colocar logo o país inteiro ali.
- Algo mais?
- A Croácia. Eu só sei que tem praia, mas onde fica não sei.
- E a Albânia?
- A Albânia já tava pregada no chão. Porque quem inventou esse mapa era esperto e sabia que ninguém sabe onde fica isso.
- E esses outros países?
- Bósnia? Sérvia? Olha, eu sei que isso tudo fica aí no meio, perto do Mar Morto.
- Mar Negro. E tá faltando um pedaço ali.
- Deve ser o Mar Vivo então.
- ...
- O que que é isso? Letônia? Lituânia? Claramente países fictícios para confundir a gente.
(zuni os países numa moita próxima. A essa hora meu irmão fazia cara de “será que eu sou mesmo parente dessa anta geográfica?”)

Mas agora falemos sério. Eu tenho a justificativa de que havia mamado meia garrafa de vinho do Porto. Mas me digam vocês: alguém sabe de cabeça os países limítrofes da Bulgária? Ou onde exatamente fica a Moldávia? Foi o que pensei.

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Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008


Já de volta do Rajastão, seguimos com nossa programação normal...

Lei de Murphy no. 664: Uma criança nazista te expulsa do parque

Ainda em Portugal (eu estou ficando atrasado demais nos meus posts. Ou isso ou ando viajando demais), chegamos a Coimbra, onde enquanto meu irmão se enfurnou nos arquivos municipais para procurar um registro da minha tatatatataravó e assim traçar uma elaborada árvore genealógica, eu resolvi passear. Anda daqui, anda dali, a fome bateu e entrei num mercado para comprar comida. E não é que dou de cara com uma garrafa de vinho do Porto por míseros 3 euros? Ok, devia ser o correspondente lusitano do sangue-de-boi, mas quem não tem Taylor's caça com vinho da marca do supermercado mesmo. Meia garrafa depois, eu me encontro no jardim do Museu das Formas (onde é, como achei e como cheguei, não me perguntem), onde havia um monte de brinquedos interativos para crianças, inclusive um mapa da Europa de montar no chão. Estou eu lá me divertindo sozinho tentando encaixar a Áustria na Alemanha quando chega uma infante de aproximadamente 5 anos se meter na minha diversão. Eu odeio criança, mas resolvi ser simpático (talvez por estar levemente embriagado. Sóbrio eu provavelmente a enxotaria dali dizendo que ia roubar a mãe dela ou algo assim. Sim. Eu sou mau com crianças).

- Olá, tudo bem?
- Me dá!
- Você quer a Áustria?
- Me dáááá!!!
- Ok. Você não quer me ajudar e encontrar onde fica a Hungria então?
- ME DÁÁÁÁÁ!!!! (em modo supersônico)

Porre + criança histérica = assassinato.
Antes de extravazar minha cólera quebrando a garrafa em sua moleira, respirei fundo e encontrei a razão: se eu saísse dali, me livrava dessa mini-Hitler que queria a Áustria, a Hungria e o resto da Europa oriental toda, e ainda preservava a minha bebida. E assim rumei dali, para encontrar quem na rua, senão meu próprio irmão? Realmente a cidade não era muito grande.

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Sábado, Fevereiro 02, 2008


Só pra quebrar um pouco a série Murphy em Portugal...

Lei de Murphy no. 663: Sua chefe tem um assistente muito descritivo

Mesmo com anos de experiência, a gente sempre pode dar uma gafe traduzindo coisas que não são exatamente o que a gente pensa que elas são. Estava eu com uma gripe e sinusite fortíssimas, e sempre que alguém me perguntava eu respondia:

- I am very constipated.

Pensando, ingenuamente, que constipated era constipado, ou seja, gripado, resfriado. Ledo engano, Leda Nagle. Tão doente eu estava que um dia não consegui ir trabalhar, e, todo entupido, liguei pra Exu (minha chefe) e, para fazer um mini-drama, descrevi com riqueza de detalhes como a tal 'constipação' me deixou completamente acamado. No dia seguinte, jantando com uma amiga, ela perguntou se eu estava doente e eu prontamente respondi que estava muito mal da 'constipação' e que me doía toda a testa e nariz. Ela, com naturalidade, devolveu:

- É por que você faz muita força?
- Força? Não, eu assôo o nariz devagar.
- Nariz? Eu quis dizer quando você vai ao banheiro.
- Banheiro?
- É, pra cagar.
- Peraí. O que minha sinusite tem a ver com cagar?
- Sinusite? Você não falou que tava constipado? Constipated quer dizer prisão de ventre.

Nesse momento parei e lembrei de quando descrevi para Exu com riqueza de detalhes as dores que eu sofri acordado de noite por conta da 'constipação' que me impediram de ir trabalhar, fazendo-me usar toneladas de papel higienico e indo no banheiro a noite toda. Sorri. Pra qualquer outra pessoa eu teria explicado, morto de vergonha, que eu quis dizer sinusite e não prisão de ventre. Mas resolvi deixar a imagem nefasta na cabeça da Exu. Sim, eu me alimento com esses poucos prazeres da vida...

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(porque se alguma coisa pode dar errado, ela vai!)


VISITAS
DESDE 01/01/2003


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Qual o próximo destino de Rafael (acompanhado de Murphy, claro)? Um desses é realmente verdadeiro!
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A Piranha Sereia
Lugar de Dar é no Mar

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No Absurdo do Carnaval

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No Limite da Morte

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    Murphy foi um físico que trabalhava na NASA. Ele disse que não importa quantos cálculos fossem feitos para se lançar uma nave no espaço, alguma coisa ia dar errado. Alguém vai esquecer um número, um parafuso, alguma coisa que leve ao caos completo. Bom, depois que a Challenger explodiu, ele perdeu o emprego, mas a Lei de Murphy permaneceu - e continua atormentando nós, simples mortais.