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Quarta-feira, Março 26, 2008
Lei de Murphy no. 678: Você vai acidentalmente mandar seu amigo sozinho pra Índia
A pessoa mais empolgada da classe com o casamento não era nem a noiva, mas meu amigo francês e surdo com DDA (distúrbio de déficit de atenção), por motivos auto-explicativos. Porém logo antes da viagem ele perdeu o emprego, a namorada, um dos aparelhos de surdez e ainda foi despejado do apartamento que morava (não, isso não é Murphy, é macumba mesmo). Mesmo assim, ele estava decidido a comprar a passagem o mais depressa possível, sem querer pensar em seu futuro imediato (isso foi em Julho do ano passado!). Numa festa qualquer, ele resolve conversar a respeito.
- RAFAEL, VOCÊ VAI PRA ÍNDIA?
- Sim, David, eu vou. E eu estou aqui do seu lado.
- O QUÊ?
- Nada.
- QUE DIA VOCÊ VAI?
- Não sei, por quê?
- EU VOU COMPRAR MINHA PASSAGEM AMANHÃ!
- Amanhã?
- O QUÊ?
- Eu acho vou dia 22, ou 23, não lembro. Me liga amanhã e eu vejo no bilhete.
- VINTE E DOIS?
- Pode ser, não lembro. Vamos curtir o resto da festa.
- O QUÊ?
No dia seguinte, eu morrendo de ressaca, ele me liga.
- COMPREI A PASSAGEM PRO DIA 22!
- 22? Deixa eu conferir... A minha é pro dia 23.
- O QUÊ?! (dessa vez ele ouviu, creio que isso foi mais uma reação de choque)
- Sim, eu falei que não tinha certeza.
- NÃO, VOCÊ FALOU VINTE E DOIS.
- Não, eu estava numa festa, de pileque, e disse que não tinha certeza.
- OH, SHIT.
E lá foi o francês surdo e hiperativo solto em Mumbai. E assim começava a viagem, antes mesmo de começar.
..:: por Rafael, às 2:45 PM .::.
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Terça-feira, Março 25, 2008
Série Murphy vai ao Hindustão
Lei de Murphy no. 677: A Índia não fica na Baixada Fluminense
Uma das minhas colegas da pós ficou noiva, e por ser indiana (e rica) resolveu fazer o casamento no melhor estilo dos filmes de Bollywood. No último dia de aulas ela trouxe a notícia e disse que estávamos “todos convidados”. Eu, que não sou bobo nem nada, chamei ela na chincha e perguntei se era pra valer ou só por educação. Afinal, eu canso de dizer isso e sempre me arrependo quando aparece um Joselito que leva ao pé da letra. “Claro que é sério!”, ela respondeu. E eu, todo malandro, resolvi que ia pra Índia.
Dias depois o telefone toca lá no Brasil. Mamãe ficou meio aflita e protestou durante semanas, dizendo que eu ia pegar cólera, tétano, dengue, tifo, gota, etc. que estava proibido de beber água e coisa e tal.
- Mãe, de certo que aquele país de 1 bilhão de pessoas não é uma pandemia de dengue. Lá não é o Rio de Janeiro!
- De qualquer forma, você está proibido de beber água! As pessoas usam a mesma água pra tudo lá!
- Sim, mãe. Claro. Porque a noção de saneamento ainda não cruzou as fronteiras do Oriente, sabe?
- É verdade!! Eles tomam banho, jogam vacas mortas no rio e ainda bebem daquilo.
Imaginei a cena nefasta que mamãe tinha em mente: uma anarquia necrozoológica, com gente sofrendo de males mentais e usando vacas defuntas para surfar no rio Ganges. Não foi por contrariação, mas nem me preocupei em tomar vacina nenhuma pra ir pra lá. Concluí que, tendo crescido no Brasil, eu provavelmente já estava imunizado contra a maioria dessas doenças mesmo, não é?
..:: por Rafael, às 12:30 PM .::.
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Quarta-feira, Março 19, 2008
Lei de Murphy no. 676: O capacho do seu vizinho não é banheiro
Estava eu ali parado na cozinha, oscilando entre buscar uma faca de carne e continuar ouvindo o resto da história “engraçada” de como a minha roommate havia bebido meu vinho caro, assim, por puro porre.
- Aí você não sabe…
- O quê?
- Eu fui no corredor do prédio fumar um cigarro, tava tão bêbada que caí sentada na porta do vizinho.
- …
- Aí a gente achou aquilo tão engraçado que eu comecei a rir, e não consegui parar.
- E…?
- Bom, aí que eu acabei me mijando toda.
- De rir?
- Não! De xixi mesmo! Não é engraçado??
Não. Que você bebeu meu vinho caro como se fosse sangue de boi? Não. Que você caiu sentada de porre? Não. Que você com essa idade toda fez xixi na calcinha? Não. E que esse xixi no capacho do vizinho era o meu vinho Gran Reserva 1998?!? Também não!
Francamente, pôxa.
..:: por Rafael, às 6:29 PM .::.
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Terça-feira, Março 18, 2008
Lei de Murphy no. 675: Sua roommate não aprecia as boas bebidas - apenas um bom pileque
Para quem não acompanha a história há tanto tempo, nos meus primeiros meses dessa aventura internacional trabalhei em uma série de bicos bizarros - de salva-vidas de piscina até cobaia de laboratório. No trampo que mais tempo fiquei - sommelier - era natural que eu acabasse aprendendo alguma coisa sobre vinhos. E assim sendo, fiquei muito feliz ao ganhar de Natal, antes da minha fatídica viagem à Portugal, uma garrafa de Tempranillo Gran Reserva 1998 (modo Frasier Crane: on).
Após mais de duas semanas de confusão, sem mala, taxistas punks, presente de grego, etc., finalmente chego em casa e qual não é meu choque ao ver a garrafa completamente vazia, encostada ao lado da lata de lixo da cozinha? (maestro, solta a música de "Psicose" como trilha sonora!). Nisso entra a Mari, minha roommate, e percebe minha cólera contida.
- Ah, o seu vinho. Pois é, desculpa, eu bebi.
- Sim... notei.
- Cheguei em casa uma noite muito bêbada com um amigo, a gente queria beber mais, vimos essa garrafa e eu pensei: "ah, depois eu compro outra".
- Você... bebeu... meu Tempranillo Gran Reserva 1998... porque tinha acabado a cerveja?!
A essa altura a música de "Psicose" já tocava tão alto na minha cabeça que eu mal conseguia escutar a Mari. E ela achando a história super engraçada, enquanto meu olho esquerdo piscava independente em fúria.
Modo Frasier Crane: off
Modo Maníaco do Parque: on.
(continua...)
..:: por Rafael, às 3:26 PM .::.
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Quarta-feira, Março 12, 2008
Ok, de volta à ativa, vamos lá.
Lei de Murphy no. 674: Você não sabe o que é chodra.
Volta e meia me aparece uma burocracia aqui no escritório pra resolver, como tentar desvendar o grande mistério de quem mandou pacotes para Malásia, ou quem usou o serviço de malote para mandar CDs para o Egito, essas coisas bizarras. Chego na recepção, onde fica o arquivo de malote, e peço para a nova recepcionista, uma mocinha indiana feia porém boazinha, que estava ali há apenas dois dias, pelo tal arquivo.
Procura daqui, fuça dali, todos os malotes tinham o mesmo nome o mesmo código: rainna chodra. Cada um deles. Muito confuso e já de saco cheio - puto, por assim dizer - de perder meu tempo com essas inutilidades, eu falo para mim mesmo, em alto e bom tom, no meio da recepção:
- What the fuck is rainna chodra??!?
Ao que a pobre recepcionista hindu, de trás de sua mesa, com toda simplicidade do mundo e quase com vergonha do que ia dizer, solta:
- Meu nome é Rainna Chodra.
Boa, Rafael... Boa...
..:: por Rafael, às 3:30 PM .::.
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Terça-feira, Março 04, 2008
Lei de Murphy no. 673: Você não pode nem ficar doente em paz
Quem trabalha muito com computador se arrisca aos comuns problemas de LER. Há cerca de uma semana comecei a sentir uma dor chata no pulso (motivo pelo qual não tenho postado ultimamente) e fui comprar uma daquelas luvas ergonômicas ou sei lá como se chamam, para ver se melhorava. E, claro, que ao chegar com a dita na mão direita, piadas [sem graça] é o que não faltaram:
- Meia branca com sapato preto, luva... Tá treinando pra ser cover do Michael Jackson no “The One And Only”? *
* The One and Only é um reality show aqui no Reino Unido nos moldes de American Idol, só que as pessoas competem fazendo cover de seus artistas preferidos. Extremamente trash e bizarro ver um dueto Cher e Tom Jones com Britney e Lionel Ritchie. Fico imaginando no Brasil como seria. Coveres de Gretchen e Kátia Cega? Magal e Wando?
***
- O que você andou fazendo com essa mão, Rafael?
- Digitando...
- Sei.. Digitando...
***
- Anda exagerando, hein, Rafael?
***
- Domingo de tédio sozinho em casa?
Sim. Por que eu tenho 13 anos outra vez. E nunca escutei uma piadinha relacionando pulso com tendinite e masturbação. Que original.
Humpf.
..:: por Rafael, às 12:29 PM .::.
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(porque se alguma coisa pode dar errado, ela vai!)
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